Efeitos no Congresso serão mais lentos que no mercado

Parlamentares afirmam que julgamentos de políticos envolvidos em escândalo serão ‘cautelosos’

iG Minas Gerais |

Oposição. Líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho diz que oposição será cuidadosa em cassações
Gustavo Lima/ag. Câmara - 19.3.2014
Oposição. Líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho diz que oposição será cuidadosa em cassações

BRASÍLIA. Os efeitos da operação Lava Jato no Congresso Nacional devem ser mais lentos que a avalanche que se abateu sobre o mundo empresarial e atingiu executivos das principais empreiteiras do país.  

A citação de um número expressivo de parlamentares que estariam envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras – cerca de 70, o equivalente a quase um Senado – deixou o Congresso apreensivo, mas a tendência, acreditam líderes partidários, será de cautela em relação às cassações de mandato.

Primeiro, dizem, é preciso aguardar a denúncia do Ministério Público. E só após a revelação de provas mais contundentes e a aceitação da denúncia pelo Supremo Tribunal Federal (STF) os casos devem avançar no Conselho de Ética.

“Vai depender do conteúdo da denúncia. O critério é a comprovação. Imagine o sujeito citar o nome, dizer que esteve com a pessoa, que recebeu doação na casa. Cadê a prova? Esse processo terá que ser tratado com normalidade institucional. Não é só a denúncia do Ministério Público, o Supremo tem que admitir o recebimento”, afirmou o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Segundo ele, apesar da magnitude do escândalo, ser denunciado pelo Ministério Público nem sempre é suficiente. Cunha sustenta que vários deputados estão denunciados ou mesmo sendo processados no STF e nem por isso respondem a processo no Conselho de Ética. “É preciso ter calma, não criar um clima de paralisia do Legislativo. Não é nem sangria desatada, nem passo de tartaruga. Se eles estão levando esse tempo todo para divulgar, o Congresso não precisa resolver em cinco minutos”.

Mesmo na oposição, o raciocínio é cauteloso. Embora afirmem que o Congresso pode se antecipar ao Supremo e dar início a processos de cassação, líderes destacam a necessidade de provas sólidas do envolvimento de senadores e deputados nas irregularidades.

Líder de uma das principais legendas que fazem embate ao governo, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) sinaliza que a oposição será cuidadosa. “Não é porque seja parlamentar ou não, isso diz respeito a qualquer cidadão. Para ser envolvido em indícios nessa operação criminosa, é preciso que se tenha provas ou ao menos indícios muito fortes de atos ilícitos, provas testemunhais e factuais. Estamos falando da honra e da vida de pessoas”, disse.

Envelopes

Entrega. Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro Mário Negromonte, negou que transportava dinheiro para Alberto Youssef, mas disse que carregava envelopes lacrados cujo conteúdo desconhecia.

Internado O doleiro Alberto Youssef foi internado no Hospital Santa Cruz, em Curitiba, neste sábado. Ele apresentou febre e dores abdominais e chegou a desmaiar na carceragem. Youssef será submetido a uma tomografia e outros exames. A expectativa é de que ele volte à superintendência da PF neste domingo. Preso na operação Lava Jato, Youssef tem problemas de coração, que teriam se agravado com o estresse.

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