Baque no “orgulho nacional”

Entre as petroleiras estatais latino-americanas, a Petrobras pode estar passando pela maior crise

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Ranking. Desde 2013, a Petrobras despencou 20 posições no ranking da revista “Forbes”, que lista as maiores empresas do mundo
PETROBRAS/DIVULGAÇÃO - 11.10.2014
Ranking. Desde 2013, a Petrobras despencou 20 posições no ranking da revista “Forbes”, que lista as maiores empresas do mundo

O esquema de fraudes bilionário revelado pela operação Lava Jato atinge em cheio a imagem da maior empresa pública do país, uma estatal que, desde a sua criação, é símbolo do “orgulho nacional”. A Petrobras enfrenta hoje uma crise tão grave do ponto de vista político-institucional que gera reflexos em seu desempenho econômico. As denúncias de corrupção colocam em xeque a credibilidade e agravam a situação da estatal, que já vem de um processo de desvalorização no mercado.  

Neste ano, a Petrobras despencou dez posições no ranking da “Forbes”, que lista as maiores empresas do mundo. A petroleira caiu da 20ª para a 30ª colocação. Em 2013, já tinha caído outras dez posições – aparecia em décimo em 2012.

Apesar das quedas, a estatal continua sendo a empresa brasileira mais bem posicionada na lista das 2.000 maiores da “Forbes”. Os economistas, no entanto, afirmam que a perspectiva é de piora. Desde o início do escândalo, o valor das ações derreteu.

“A Petrobras é, entre as grandes do mundo, a que tem a maior dívida. Ela terá dificuldades para captar investimentos no mercado internacional. Isso significa que terá que captar recursos pagando mais, que o seu custo de operação vai aumentar e que a conta pode cair no consumidor”, afirma o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) Victor Gomes Silva.

Guardadas as devidas proporções, a estatal brasileira segue a triste risca de outras petroleiras latino-americanas que passaram por crises. Na Argentina, a Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) sofreu um duro golpe. A presidente Cristina Kirchner anunciou a expropriação da estatal, que havia sido vendida no ano 2000 para a companhia espanhola Repsol. O processo gerou prejuízos e queda das ações.

Na mexicana Pemex, o momento também é de contabilizar as perdas. Só no terceiro trimestre deste ano, foram US$ 4,4 bilhões negativos, apesar de ela ter uma produção maior do que a da Petrobras. Em agosto passado, o México fez uma reforma e abriu o mercado, até então exclusivo da estatal, para o setor privado.

A expectativa do governo é salvar a empresa e fazer com que a Pemex ultrapasse a Petrobras, realizando parcerias com petrolíferas privadas e estrangeiras. A Pemex terá liberdade e recursos para explorar as águas profundas do lado americano do golfo do México, o que, até então, era proibido pelas leis locais.

A Petróleos de Venezuela (PDVSA) está ligada à polêmica refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A estatal vizinha iria executar 40% da obras, mas o governo venezuelano desistiu da parceria com a Petrobras. Há dois meses, a PDVSA passou a importar da Rússia e da Argélia petróleo leve. O episódio chegou a ser chamado de “o dia da vergonha”, por expor uma deficiência da principal empresa do país e gerar uma imagem negativa do governo.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave