Funcionários se preocupam com imagem e obras

Trabalhadores da Petrobras temem ser confundidos com corruptos

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Preocupação. Clima de tensão tomou conta do “chão de fábrica” após investigações da Lava Jato
NANO CARTAGENA
Preocupação. Clima de tensão tomou conta do “chão de fábrica” após investigações da Lava Jato

Se no mercado e no meio político o sentimento é de apreensão, entre os milhares de funcionários da Petrobras a sensação não é diferente. Desde o início dos escândalos envolvendo a estatal, o clima de trabalho nos corredores piorou. Os servidores estão preocupados com a possibilidade de paralisação de obras suspeitas, com a mancha na imagem da empresa e em suas próprias imagens. Muitos relatam cobranças e até desconfianças dentro da família e nas rodas de amigos.  

Há 40 anos trabalhando na estatal, o técnico Emanuel Cancella diz que, hoje, duas das maiores preocupações dos colegas são com o andamento das obras e com a tentativa de deixar claro para a sociedade que os trabalhadores não estão envolvidos nas irregularidades.

“Queremos que os envolvidos sejam punidos e condenados à prisão. Independentemente de partidos. Não temos cumplicidade com isso. Nosso temor é a paralisação de obras importantes”, afirmou Cancella, que é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ).

Segundo ele, a massa de trabalhadores não tinha conhecimento das fraudes. Mas ele lembra que, em 2010, um grupo de servidores fez um enterro simbólico do ex-diretor Renato Duque, suspeito de receber propina e que já reconheceu ter levado R$ 1,6 milhão da UTC Engenharia.

Segundo as investigações da Polícia Federal, o valor é muito superior. Só a Galvão Engenharia disse ter pago R$ 8,8 milhões à Diretoria de Serviços, então comandada por Renato Duque.

“Já havíamos denunciado o Duque para o Ministério Público e a Polícia Federal. Ele foi responsável pelos contratos das plataformas construídas pela empreiteira Marítima, inclusive a P-36, que afundou, matando 14 pessoas”, afirmou Cancella.

Outro funcionário diz que, entre os amigos, o desânimo e a insegurança predominam. “Estamos receosos com o futuro. Não sabemos o que está por vir. Continuo tendo orgulho de trabalhar aqui, mas as pessoas já não têm o mesmo orgulho de nós e da empresa”, afirma um engenheiro, que trabalha na estatal há 23 anos e preferiu não ser identificado.

Segundo ele, os servidores viraram motivo de piada. “Os amigos e até as pessoas da família perguntam se sabemos de algo, fazem gozações, como se tivéssemos lucrado alguma coisa. É constrangedor”, relata.

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