No Facebook, postou, vendeu

Criar uma página na mais famosa rede social pode ser o “pulo do gato” nos negócios

iG Minas Gerais | Janine Horta |

Sacada. Danielle comprou um sapato bonito, postou no Facebook e, depois de diversas “curtidas”, disse que estava vendendo o modelo
JOAO GODINHO / O TEMPO
Sacada. Danielle comprou um sapato bonito, postou no Facebook e, depois de diversas “curtidas”, disse que estava vendendo o modelo

Era fevereiro de 2014, perto do Carnaval. A relações públicas Danielle de Paula estava desempregada – havia saído há pouco tempo de uma firma por não concordar com questões internas – e resolveu comprar um sapato que tinha uma estampa “linda”, conta, imitando os desenhos de Romero Brito. Postou a compra no Facebook e, quase que imediatamente, recebeu um monte de curtidas e perguntas sobre onde havia comprado. E aí veio o estalo: “Estou vendendo”, disse. Puro impulso: ela nunca havia vendido nada na vida.

De pronto, recebeu 12 encomendas. Teve que voltar na loja onde comprou para saber qual era o fornecedor e tentar fazer uma compra maior. Hoje, tem uma página no Facebook, a Cat Shoes. Vende em média 200 pares por mês e entrega na casa do cliente. A história de Danielle confirma o poder de venda do Facebook. Em todo o mundo, 30 milhões de empresas de pequeno porte já têm páginas na rede social, sendo que 1,5 milhão pagam por anúncios nas páginas do serviço. Dos 1,35 bilhão de usuários do Facebook, 70% estão conectados com ao menos uma página desse tipo. No Brasil, essa conexão é ainda maior. Das mais de 6 milhões de pequenas empresas no país, 2 milhões já têm suas páginas na rede social. Cerca de 80% dos 91 milhões de usuários brasileiros já estão conectados com alguma pequena ou média empresa pela plataforma. De olho nesses números, o Facebook firmou parceria com o Sebrae e lançou no Brasil o “Facebook para Empreendedores”, programa de cursos e ferramentas de marketing para apoiar comunidades, jovens, start-ups de tecnologia e pequenas empresas. O projeto-piloto começa em 2015 na maior favela de São Paulo, a Heliópolis, onde, de acordo com pesquisa do Facebook, 41% querem ter um negócio próprio e 56% acessam a rede social pelo celular. Inteligência emocional. “O que está bom pode ficar ainda melhor”, diz Danielle, sobre a possibilidade de passar por um desses cursos. Em sua página, ela não posta somente as fotos dos sapatos. Coloca mensagens e dicas para cativar as clientes. Exatamente como orienta a responsável pelo atendimento de projetos digitais do Sebrae Minas, Daniela Toccafondo. “Para se tornar um bom vendedor, é preciso cativar o cliente não somente pelo produto, mas pela emoção. É preciso trazer o cliente pela relação, criar um vínculo emocional”. Outra orientação da especialista do Sebrae é achar um nicho de mercado ainda pouco explorado. “Ter uma página que vende um produto ou serviço diferenciado é fundamental para o sucesso do negócio nesse ambiente de vendas”, explica. Logística. A hora da entrega e a necessidade de se fazer trocas podem ser o gargalo do negócio para quem começa pequeno. “É preciso prever o que fazer, por exemplo, se houver devolução de mercadorias, e zelar pela qualidade do produto até a finalização da compra”, orienta a consultora do Sebrae. Danielle, da Cat Shoes, aprendeu tudo na marra. Descobriu que fornecedores de sapatos só entregam em grande quantidade, que é preciso negociar muito com eles – ela é microempreendedora individual –, e que é bom levar vários modelos na casa das clientes, além do que elas encomendaram. “Assim, num serviço personalizado, elas acabam comprando mais”, conclui.

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