Último ato do maior presidente

Dirigente fecha seu mandato com os títulos de expressão tão sonhados por todos os atleticanos

iG Minas Gerais | Thiago Prata |

Kalil da Massa. Presidente foi carregado quando eleito pela primeira vez. Seis anos depois,  despede-se com títulos de expressão
LEO FONTES / O TEMPO
Kalil da Massa. Presidente foi carregado quando eleito pela primeira vez. Seis anos depois, despede-se com títulos de expressão

A autenticidade por vezes transpassava as barreiras da conduta politicamente correta e da ética, e descambava para um tiroteio de provocações e ironias, sem um alvo definido. Mas, em meio ao tom sarcástico, ácido e sagaz, o amor a um clube que ele defendeu com unhas e dentes. A partida deste domingo, entre Atlético e Coritiba, às 19h30, no Independência, é a despedida de um presidente que reergueu um gigante e o colocou no topo do futebol brasileiro e sul-americano. Neste domingo, Alexandre Kalil irá assistir, pela última vez, um jogo do Galo como mandatário do clube alvinegro.

A personalidade forte se mostrou evidente desde o dia 30 de outubro de 2008, quando assumiu o cargo máximo do clube, no lugar de Ziza Valadares, que debandou sem terminar seu mandato. O temperamento de Kalil nem sempre foi visto com bons olhos pelos adversários e por uma parcela da Massa. Só que amigos e inimigos têm de concordar em algo: foi graças a Alexandre que o Atlético voltou a conquistar títulos de expressão e se tornou exemplo para outras agremiações no país.

Um personagem folclórico sim, o bastante para dizer que uma “taça de campeão é melhor do que mulher”. Mas foi e é também um trabalhador assíduo e incansável, e um vitorioso durante toda sua trajetória como presidente. Os títulos da Libertadores de 2013, e o da Recopa Sul-Americana e da Copa do Brasil, ambos de 2014, além do Mineiro de 2010, de 2012 e de 2013 estão aí para provar isso.

Responsável por modernizar a Cidade do Galo, eleita o melhor CT do Brasil, contratar vários nomes importantes, como Diego Tardelli, Victor e o ícone mundial Ronaldinho Gaúcho, e organizar as contas do clube mineiro, Alexandre deixará o Atlético no dia 3 de dezembro deste ano, data da eleição do novo presidente do Galo. O atual vice dele, Daniel Nepomuceno, será o próximo presidente.

Antes da partida deste domingo, haverá uma entrevista coletiva do mandatário, que, com toda certeza, irá reiterar o sucesso atingido dentro do Atlético. E das cadeiras do Independência, o estádio que ele transformou no poleiro do Galo, virá em forma de aplausos e gritos da Massa o maior de todos os reconhecimentos a esse que é considerado o maior presidente da história da agremiação mineira.

O próprio Alexandre, porém, não concorda com esse rótulo, sempre salientando que o maior presidente do Galo foi e sempre será seu pai, o finado Elias Kalil. E lá de cima, Elias deve estar muito orgulhoso do filho, que conseguiu resgatar o espírito vingador de um gigante e ajudou a lavar a alma de cada membro de uma família chamada Massa Alvinegra.

As marcas da era Kalil O céu e o inferno. Com Vanderlei Luxemburgo como treinador, Kalil comemorou sua primeira taça como presidente, a do Mineiro de 2010. Mas demitiu Luxa pela campanha pífia da equipe no Brasileiro. Dorival Júnior salvou o time do descenso.

Ensaio para glórias. Manter Cuca no cargo foi uma decisão acertada de Kalil. A vinda de grandes nomes, em especial da do ícone mundial Ronaldinho, foi a alavanca. Com um esquadrão de encher os olhos, o Galo foi vice do Brasileirão de 2012.

Despedida épica. O primeiro semestre de 2014 foi muito ruim para Kalil e Atlético. Mas a segunda metade do ano foi marcante, com direito aos títulos da Recopa e da Copa do Brasil, essa última sobre o Cruzeiro.

O início. No dia 30 de outubro de 2008 começou a era Alexandre Kalil. O início não foi bom. O Atlético passou por uma reformulação no elenco. Chegou a brigar pelo título Brasileiro de 2009, mas a reta final foi trágica.

Aprendizado. O pior ano da era Kalil, 2011, foi também o embrião de um período de glórias. Graças a Cuca, o Galo não foi rebaixado no Nacional. Apesar de amargar a goleada por 6 a 1 para o Cruzeiro, Kalil acreditou no potencial de Cuca para o futuro.

A consagração. Após trazer Diego Tardelli, a “cereja” do bolo, Kalil viu o Atlético dar show e alcançar milagres em 2013, que culminaram com aa conquista da Copa Libertadores. O presidente dormiu com a taça de campeão na noite do título.

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