Tecnologia permite mover objetos com o poder da mente

Pesquisa no Brasil desenvolve biochip sem fio que pode controlar próteses

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

“Tatuagem”. O professor Todd Coleman, da Universidade da Califórnia San Diego, nos Estados Unidos, desenvolveu junto com sua equipe um chip flexível com a espessura de um fio de cabelo. O aparelho, similar a uma “tatuagem temporária”, capta as ondas cerebrais e pode ser usada para controlar objetos.
:Neural Interaction Lab
“Tatuagem”. O professor Todd Coleman, da Universidade da Califórnia San Diego, nos Estados Unidos, desenvolveu junto com sua equipe um chip flexível com a espessura de um fio de cabelo. O aparelho, similar a uma “tatuagem temporária”, capta as ondas cerebrais e pode ser usada para controlar objetos.

Busque na memória: de vez em quando aparece alguém que afirma ter poderes paranormais e conseguir mover coisas com o poder da mente. Nos anos 70, o israelense Uri Geller ficou famoso por seu “poder” de entortar talheres com a “força da mente”. Na década seguinte, o mineiro Thomaz Green Morton (o homem do “Rá!”) virou febre nos programas televisivos por conseguir gerar luzes, entortar talheres e tirar perfume das mãos puras, tudo pelo poder da mente.

Apesar do sucesso que fazem, muitos desses casos – como os dois citados – acabam sendo desmascarados. Agora, porém, a ciência está caminhando a passos largos para que, dentro de alguns anos, qualquer um possa mexer objetos sem tocá-los, só com a energia das ondas cerebrais. Uma dessas pesquisas está sendo desenvolvida aqui mesmo, no Brasil. O projeto Biochip Cerebral sem Fio pretende desenvolver um sensor de sinais digitais para ser implantado no cérebro. Em um futuro ainda distante, esse chip poderá servir principalmente para controlar próteses, garantindo que pessoas que sofreram algum dano e perderam membros – ou a movimentação desses membros – possam voltar a ter tais funções motoras. “Um dos nossos diferenciais para outros sensores desse tipo é, primeiro, o fato de o nosso biochip ser feito de carbeto de silício, um material biocompatível”, conta o coordenador do projeto, professor doutor Dilvan de Abreu Moreira, do Departamento de Ciências da computação da Universidade de São Paulo (USP). Desenvolver esse sensor biocompatível é importante porque resolve o principal problema com os sensores atuais, que é o fato de o cérebro acabar desenvolvendo uma incompatibilidade com o material e criando uma camada de um tecido de cicatriz em torno dos sensores. E aí eles param de funcionar. O outro diferencial do biochip é o fato de ele ser wireless (sem fios). “Há uma bobina dentro do implante e outra fora do corpo que capta os sinais do implante. A bobina também fornece energia para o implante, fazendo com que não seja necessário abrir a cabeça do paciente a cada cinco anos, por exemplo, para trocar a bateria do chip”, explica o professor. Sem fios, reduzem-se as chances de infecções no cérebro. O projeto, realizado em parceria com os professores Stephen Saddow, da Universidade do Sul da Flórida, Mário Gazziro, da Universidade Federal do ABC, e Luciene Covolan, da Universidade Federal de São Paulo, dentre outros, ainda está em fase inicial e não deverá ficar disponível para o uso em pessoas antes de dez anos. Mas as chamadas “interações cérebro-máquina” são um campo promissor, com potencial para revolucionar a vida de quem sofreu uma lesão e perdeu certas funções do corpo. 

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