Narrativas miram elo com a realidade

Já Guto Lins, com “Eros & Psique.com.br”, buscou experimentar um livro que encontrava uma espécie de continuação na internet

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Além de se apropriar de diferente mídias, as narrativas expandidas, de acordo com Camila Figueiredo, pesquisadora do assunto, observa como elas aplicam estratégias que tornam mais estreita a relação do público com o universo ficcional apresentado. “Algumas inclusive abrem espaço para a participação ativa, por meio dos canais da internet, o que resulta, em vários momentos, numa espécie de atravessamento das fronteiras entre ficção e realidade”, resume a estudiosa.  

Simone Campos, autora do livro “A Feia Noite”, publicado em 2006, recorda uma experiência interessante em relação a esse fato. No livro que ela escreveu durante cinco anos, foi impresso, nas últimas páginas, o endereço de um blog com autoria atribuída à personagem Maria Luiza. “Acessaria o conteúdo o leitor atento ou quem fizesse uma busca pela internet e esbarrasse com os relatos ali postados”, observa Simone.

Isso levou os leitores a lidarem com a personagem de diferentes formas. Ela mesma lembra ter recebido algumas mensagens no celular com pessoas perguntando sobre a garota. “A história girava em torno de Francisco, um marqueteiro político que, depois de se separar, acorda com essa menina de 21 anos. Aos poucos, ele descobre que ela é libertina ao extremo e trabalhava também como prostituta. Eu fiz assim, um diário dela no blog, onde eu pude desenvolver um pouco suas experiências”, recorda a autora.

Já Guto Lins, com “Eros & Psique.com.br”, buscou experimentar um livro que encontrava uma espécie de continuação na internet. “O título conta a história de uma empresa de recados amorosos. Cada um trazia uma senha para que as pessoas pudessem entrar num site e produzir novos conteúdos. Na narrativa há alguns casos resolvidos pelo serviço amoroso que são apresentados e no espaço virtual os leitores podiam acrescentar outros”, conta Lins.

Produzido com uma pequena tiragem em 2011, ele afirma que estuda uma nova edição do trabalho. “Estamos negociando uma versão digital ou adaptada para o papel”, relata.

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