Senhor do seu próprio jogo

Ator pernambucano ressalta que, apesar dos longos anos de carreira, ainda tem muito a fazer e aprender

iG Minas Gerais | luana borges |

Possibilidades. Bruno Garcia afirma que gosta de fazer os mais distintos personagens possíveis que aparecem
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Possibilidades. Bruno Garcia afirma que gosta de fazer os mais distintos personagens possíveis que aparecem

É fácil se perder no tempo em uma conversa com Bruno Garcia. Inteligente e bem articulado, o ator profere um discurso seguro e parece saber exatamente o que quer. E fala sobre sua trajetória de 33 anos com o brilho nos olhos de quem ainda tem muito a fazer. É com esse misto de expectativa e maturidade que ele enxerga Ricardo, personagem que interpreta em “Boogie Oogie”. “Nós, atores, somos tão espectadores quanto o público. É muito interessante fazer um personagem que você não sabe como vai acabar. Você não sabe se ele vai morrer, se vai se casar, se vai ser feliz, se vai se transformar em um bandido. Novela tem essa peculiaridade”, analisa. Natural de Olinda, em Pernambuco, Bruno sempre teve a certeza de que seguiria a carreira artística. Filho de um bailarino clássico, diretor e ator, ele se interessa por diversas linguagens. Além de ser diretor de teatro, gosta de pintar e fazer experiências com stop motion. “Não tinha muito jeito de não ser ator. Mas eu já tive dúvida em relação a ser uma profissão”, confessa. “Boogie Oogie” se passa nos anos 70, mas seu personagem, Ricardo, é um homem à frente do tempo por criar negócios que, na época, pareciam absurdos, mas deram certo no futuro. O que mais atraiu você neste papel? Exatamente isso, a possibilidade de dar essa piscada para o espectador. Na trama, as pessoas envolta do Ricardo criticam suas ideias e invenções e o espectador que está vendo sabe que aquilo vai dar certo, que aquilo não só é possível como vai estar plenamente em uso dali a alguns anos. Achei bem divertido poder fazer esse personagem. Eu adoro ficção científica, pensei que podia ter alguma coisa aí. Ainda estou esperando mais invenções, acho que devem rolar mais algumas coisas. Você é um ator de composição. No caso do Ricardo, que é um personagem mais naturalista, como foi seu processo de criação? Cada personagem é um processo diferente. Em geral, eu opto muito pela imaginação. Acho que é o mais divertido, o mais gostoso. Mas o estudo é eterno. A profissão do ator é muito interessante porque você tem a possibilidade de estudar várias coisas de áreas diferentes a vida inteira. E isso vai variar muito de personagem para personagem. No caso do Ricardo, eu não me inspirei em ninguém especificamente, mas vejo uma correspondência com o personagem do Mário Lago em “Dancin’ Days”, o Alberico. Em que sentido? O Alberico tinha ideias fabulosas. O interessante é que a novela era feita na época, em 1978. Eu vi um capítulo em que o personagem tem a ideia de fazer uma central de táxi. Ele pensou em criar um número para as pessoas ligarem e, através do rádio, se comunicar com os motoristas. Provavelmente, o Gilberto Braga (autor) deve ter se inspirado em algo que viu em outro país e colocou na boca do personagem. Na verdade, eu não me inspirei em ninguém, mas acho carinhoso pensar que tinha um papel com algumas semelhanças em uma novela que foi feita em 1978 e que tratava de uma discoteca. Tem essa paquerada com “Dancin’ Days”. Em alguns momentos, a gente homenageia. Durante um tempo, você ficou conhecido por interpretar tipos cômicos na TV, como em “Sexo Frágil” e “Bang Bang”. Mas também investiu em perfis distantes do humor, como o vilão Natan de “Sangue Bom”. Foi uma necessidade sua buscar outros gêneros ou simplesmente os convites apareceram? Vou dizer uma coisa, no Brasil não existe isso, você faz o que aparece. Até 2005, eu não era contratado da Globo, fazia papéis por obra. Então, você faz o que aparece, você precisa pagar suas contas. Não existe essa coisa de trajetória de carreira. São raríssimos os atores que se dão ao luxo de poder escolher papéis. Hoje em dia, há mais oportunidades, o mercado se expandiu. A Lei da TV Paga abriu muitos caminhos, o que foi maravilhoso porque agora tem muito mais produções de audiovisual acontecendo e muito mais oportunidades de trabalho. Lá atrás o campo era muito restrito. Você tinha que dar graças a Deus quando era chamado para fazer alguma. Se o personagem fosse bom, melhor ainda.

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