Profundidade perdida

Atual temporada do “Altas Horas”, comandado por Serginho Groisman, revela-se rasa e sem surpresas para o público

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Credibilidade. Serginho Groisman consegue segurar seu público com carisma e inteligência
Globo
Credibilidade. Serginho Groisman consegue segurar seu público com carisma e inteligência

Serginho Groisman sempre fez diferença na televisão. Com estilo e competência, o apresentador do “Altas Horas”, atração das noites de sábado da Globo, tenta a todo custo se reinventar. No entanto, na atual temporada do programa, ele parece investir justamente no oposto do que o fez famoso e uma voz dissonante dentro da Globo.

Hábil em falar com todos os públicos sem descer o nível de sua competência, Groisman está desde 2001 na emissora e mantém, com muito custo, a credibilidade e a mistura do programa sob suas rédeas. No entanto, parece que a popularização que já atingiu novelas, telejornais e a maioria das produções da emissora parece ter chegado ao “Altas Horas”.

Não que o programa fosse excludente, mas, entre as grandes emissoras, só mesmo no “Altas Horas” era possível ver jovens dialogando e ouvindo cantoras com o talento de Mônica Salmaso ou o virtuosismo de um violonista como Yamandú Costa. Isso sem esquecer de grandes figuras do pop rock nacional e do casting da própria Globo.

Seguro e ciente de sua responsabilidade de entreter, sem ser engolido pelo sistema, Groisman sempre fez de si mesmo e de seu público os maiores atrativos de seu programa. Isso desde o “Matéria Prima”, produção exibida pela TV Cultura no final dos anos 80 e que teve o formato aprimorado no “Programa Livre”, do SBT, ao longo da década seguinte.

Porém, nesta atual temporada, perdido em quadros de dramaturgia que não funcionam muito bem e com convidados que mais se autopromovem do que participam do programa, Groisman parece ter parado no tempo e em alguma rádio de sucesso. Sem os filtros de qualidade, quem perde são o próprio apresentador e seu público. Afinal, quem assiste ao “Altas Horas” ou a qualquer produção comandada por Groisman busca ser surpreendido de alguma forma. Seja com uma jam session fora do comum ou com um entrevistado sem papas na língua. Em suas edições mais recentes, o “Altas Horas” segue uma receita básica, onde a partir de uma temática, números musicais óbvios e papo com convidados seguem de forma protocolar, fria e rasa. Os “garotos” não falam mais como outrora, assim como Serginho evidencia não saber para onde está indo.

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