Seca derruba a agropecuária

Cultivos importantes como cana e café sofreram com a estiagem, e as famílias compraram menos

iG Minas Gerais | Marco Corteleti |

Crise. Só em Minas Gerais, cerca de 30% da safra de café foi perdida, e o grão colhido foi prejudicado
DANIEL DE CERQUEIRA
Crise. Só em Minas Gerais, cerca de 30% da safra de café foi perdida, e o grão colhido foi prejudicado

O tombo de 1,9% na agropecuária no terceiro trimestre frente ao trimestre anterior surpreendeu analistas e roubou crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que ficou em apenas 0,1% no terceiro trimestre deste ano. Pelos cálculos do economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, o PIB teria crescido 0,7% e não 0,1%, não fosse o desempenho do setor, que sofreu efeitos da estiagem sobre safras importantes como cana de açúcar e café. A expectativa da consultoria era que o setor permanecesse estável no período.

O desempenho da agropecuária fez com que a LCA revisasse para baixo o crescimento esperado para o PIB neste ano de 0,4% para 0,2%, e também o do ano que vem, de 1,1% para 1%.

O resultado na comparação com o segundo trimestre surpreendeu a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que previa queda de até 0,6%. “Pesou a estimativa de queda de produção do café e da cana, que são bastante representativos dentro do escopo da agropecuária”, afirma Renato Colchon, economista da CNA.

Além da seca, houve também o enfraquecimento da demanda interna, como mostra a queda de 0,3% do consumo das famílias. Segundo o coordenador do curso de economia do IBmec/MG, Márcio Salvato, esse quadro de desaquecimento do consumo deve prevalecer em 2015, e não há sinais de que os investimentos estarão em alta. As empresas, segundo o professor, ainda estão esperando pela definição das diretrizes econômicas do governo, que começou anteontem com a divulgação da nova equipe de ministros.

A inesperada queda de um setor pujante como a agropecuária, que normalmente puxa o PIB para cima, é preocupante, segundo Salvato. “Isso mostra que o setor está perdendo competitividade no mercado internacional, pois não está conseguindo exportar como antes”, explica Salvato.

Indústria melhora. Mesmo com um resultado que indica estagnação econômica, o Ministério da Fazenda destacou alguns indicadores positivos, como a expansão de 1,7% da indústria e de 1,3% dos investimentos. No entanto, na opinião de Márcio Salvato, o crescimento da indústria é pontual, pois sinaliza uma recuperação que acontece normalmente no terceiro trimestre, quando o setor produz mais para o Natal. Esse primeiro resultado positivo da indústria veio após quatro trimestres de quedas consecutivas, iniciadas no final do ano passado. (Com agências)

Repercussão

“A melhora da atividade econômica é muito tênue. O quadro é muito delicado”

Alessandra Ribeiro - Economista da Tendências Consultoria

“A alta das indústrias da construção e da transformação são as duas grandes novidades positivas do PIB e uma derivada disso é a alta nos investimentos”

Júlio Gomes de Almeida - Economista, ex-diretor de Política Econômica do Ministério da Fazenda

“Há profundos problemas na gestão da política econômica, com destaque para a atabalhoada política monetária de juros relativamente altos com inflação alta e atividade econômica em retração. Além, é claro, da política fiscal expansionista”

Alex Agostini - Economista-chefe da Austin Rating

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