Aceno para acalmar a esquerda

Dilma participou do encontro da Executiva Nacional do PT e reafirmou compromisso com políticas sociais

iG Minas Gerais |

Equilíbrio. Após anunciar a nova equipe econômica com perfil considerado liberal por alas petistas, Dilma tenta agradar seu partido
ANDRE DUSEK
Equilíbrio. Após anunciar a nova equipe econômica com perfil considerado liberal por alas petistas, Dilma tenta agradar seu partido

Brasília. Criticada por formar uma equipe econômica de perfil conservador e escolher uma representante do agronegócio para seu novo ministério, a presidente Dilma Rousseff planeja fazer acenos à esquerda do PT para tentar tranquilizar as bases de seu partido. Ontem a presidente participou de um encontro do diretório nacional da legenda em Fortaleza. O objetivo da sua participação foi agradecer o apoio do PT e reafirmar seu compromisso com as políticas sociais adotadas durante os governos petistas.

Confirmado na última quinta-feira como próximo ministro da Fazenda, Joaquim Levy é visto nos bastidores do PT como um economista liberal e contrário à política de valorização do salário mínimo, o que, na opinião dele, tem contribuído para aumentar as despesas do governo federal.

Os participantes da primeira reunião do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) não escondem que os nomes anunciados para compor a equipe econômica no segundo governo da presidente Dilma Rousseff não são a “equipe dos sonhos”, mas se mostram resignados. “É a equipe possível diante do momento que estamos vivendo”, opinou o deputado federal José Guimarães, um dos vice-presidentes do PT.

De acordo com ele, Joaquim Levy e Nelson Barbosa (Planejamento) são nomes novos, “que não têm as mesmas características dos medalhões que dirigiam a economia brasileira, mas são pessoas incumbidas com a execução do programa que saiu vitorioso das urnas”. Guimarães disse que o PT apoia a nova equipe e que ficou satisfeito com as primeiras medidas anunciadas. Ele defendeu ajuste fiscal imediato. “São três pontos. O primeiro é o controle da inflação, o segundo, o corte de gastos, e o terceiro, manter o emprego e a renda”, apontou.

Com relação ao corte de gastos, Guimarães afirmou que o PT quer que sejam mantidos os investimentos sociais, principalmente os do PAC. “Preservando isso, pode cortar à vontade”, comentou o deputado.

O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que também gostou da composição da equipe econômica e do que foi anunciado por eles na primeira reunião. “São pessoas que têm elevada credibilidade junto à sociedade, junto ao mercado, as setores produtivos. Foi uma medida muito acertada, especialmente, em um momento como esse, em que é preciso fazer uma série de sinalizações. Essa equipe tem o simbolismo necessário para essa tarefa que nós vamos enfrentar”, avaliou.

Humberto Costa acredita que o ajuste na economia se faz necessário, mas que será “apenas uma etapa”. “A diferença para a proposta dos tucanos é que, para eles, essa política é um fim em si. E, para nós, é apenas uma etapa”, apontou o ex-ministro de Lula.

Atuação

Difícil. Petistas acreditam que 2015 será um ano difícil. Eles argumentam que Dilma vai precisar de apoio político. “Vai ser muito importante atuar politicamente”, disse Humberto Costa.

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