A alegria na obra de Vininha

Peça “É Melhor Ser Alegre que Ser Triste”, traz canções e histórias que mostram a felicidade de Vinicius de Moraes

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Biográfico. Cantoras Jane Duboc (foto) e Célia dão vida às músicas de Vinicius e sua narrativa pessoal
Fernando Cardoso / Divulgacao
Biográfico. Cantoras Jane Duboc (foto) e Célia dão vida às músicas de Vinicius e sua narrativa pessoal

Obras artísticas que buscam retratar a trajetória de ícones da cultura vivem o eterno dilema no momento em que devem escolher aquilo que entra e o que sai da “sua” versão da vida do artista escolhido. Definitivamente, não é uma tarefa fácil. O espetáculo “É Melhor Ser Alegre que Ser Triste”, que se inspira na obra de Vinicius de Moraes, estreia hoje, no Sesc Palladium, e busca uma mirada “feliz” da vida do “poetinha”.

“A dificuldade maior é que além de prolífica, vasta, a obra de Vinícius é muito rica”, comenta Fernando Cardoso, diretor do musical. “O nosso conceito é esse que está no nome da peça. Não tive o privilégio de conhecê-lo, mas li muitas coisas sobre ele. O Vinicius era um cara que vivia todas suas emoções muito intensamente. Ele gostava muito de beber e bebeu a vida inteira. Eu diria que ele sorveu a vida. Foi um sujeito que teve muito amores, amou muito e, naturalmente, quem ama muito, também sofre muito. Mas nossa opção foi pela alegria, sem ignorar a tristeza. Afinal, as duas convivem desde sempre”, completa Cardoso.

Um exemplo dessa opção? “Tem uma música chamada ‘Bom Dia, Tristeza!’ que usamos como se fosse uma ironia. É um homem que está feliz há tanto tempo que estranha a ausência da tristeza na sua vida e começa a entender que ela também faz parte da alegria”, explica o diretor.

O espetáculo exalta a parceria de Vinicius com três outros músicos, que o ajudaram a transitar entre vários estilos. “Tom Jobim, certamente, os dois personificam a Bossa Nova; Baden Powell e a aproximação com ritmos mais africanos; e Toquinho, que fez dele um músico mais popular”.

As músicas do trabalho são interpretadas pelas cantoras Célia e Jane Duboc, e mais quatro músicos. Uma das presenças mais marcantes no espetáculo é Carlos Miele, considerado um dos primeiros homens do showbiz brasileiro. Miele foi contemporâneo de Vinicius de Moraes e acumula muitas histórias do poeta carioca em sua memória. “Ele é alegria em pessoa, uma figura rara. Além dele ser o arquivo da música brasileira, pois trabalhou com todo mundo, é um dos nossos únicos verdadeiros showman brasileiros, o que faz muita falta hoje em dia”, pontua. “É basicamente um espetáculo musical, mas o Miele tem liberdade para contar a história da maneira que achar melhor. São apenas apontamentos da sequência das cenas. O Miele pode improvisar, mas deve respeitar a estrutura do espetáculo. As histórias sempre chamam as músicas”, completa.

Comparação. O diretor Fernando Cardoso também é responsável pelo musical “Palavra de Mulher”, que comemora os 70 anos de vida de Chico Buarque. O elogiado trabalho traz Lucinha Lins, Tânia Alves e a Virgínia Rosa cantando músicas criadas para as famosas personagens femininas de Chico. Comparando os dois trabalhos, o diretor acredita que Vinicius tenha uma peculiaridade marcante. “Ele até escreveu teatro, criou personagens, mas sua obra é basicamente sobre ele mesmo. Um olhar masculino da vida”, aponta Cardoso.

“Para um artista, sempre tem aquela preocupação de não se repetir. Mas eu abro mão disso, para ir atrás daquilo que faça com que o espetáculo seja confortável para as intérpretes. Não é que eu ache que o artista deva estar sempre confortável. Mas eu tento tirar o que há de melhor de cada uma”, finaliza.

Programe-se

“É Melhor Ser Alegre que Ser Triste”, hoje, às 21h e amanhã, às 19h, no Sesc Palladium. (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro). Ingressos. entre R$ 90 e R$ 50 (inteira)

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