O papel da crônica durante o período do regime militar

Maurício Guilherme Silva Jr. lança “Cronismo de Resistência”, hoje, na livraria Scriptum

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Autor. Maurício Guilherme Silva Jr. analisa os vértices entre jornalismo, história e literatura
Acervo pessoal
Autor. Maurício Guilherme Silva Jr. analisa os vértices entre jornalismo, história e literatura

Quando o presidente João Goulart foi deposto, no dia 1º de abril de 1964, imediatamente houve a reação de pessoas contrárias ao golpe que marca o início do regime militar no Brasil. As manifestações na imprensa, especialmente por meio das crônicas de Carlos Heitor Cony, estimularam pesquisa do jornalista Maurício Guilherme Silva Jr., que lança o livro “Cronismo de Resistência”, hoje, na livraria Scriptum.

Resultado de sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Letras da UFMG, o título se baseia principalmente no estudo da obra “O Ato ou Fato”, de Cony. Nela, esse escritor reúne 37 crônicas que foram escritas entre 2 de abril e 9 de junho de 1964 e publicadas no diário carioca “Correio da Manhã”.

Ao refletir sobre a maneira como Cony utilizou o espaço da coluna “Da Arte de Falar Mal” para expressar suas opiniões, Silva Jr. ressalta uma mudança no tom assumido pelo jornalista, até então visto como alguém que se dedicava à abordagem de amenidades.

“Naquele momento, o cronista era visto com alguém que falava de um universo meio frugal pouco sério ou ligado às questões macropolíticas. Cony, que aparentemente não se posicionava politicamente, se torna, contudo, uma das primeiras vozes a partir para o ataque direto contra o que estava acontecendo”, contextualiza Silva Jr.

O pesquisador cita, inclusive, o texto “A Revolução dos Caranguejos”, em que Cony ironiza o movimento empreendido pelos militares. “Com essa analogia, ele lançava a ideia de uma revolução que andava para trás. É interessante observar que nessas e nas outras crônicas, do ponto de vista da linguagem, Cony defende seu olhar de maneira mais explícita”, acrescenta Silva Jr.

Como esses textos saíram no começo da ditadura, não pesou sobre eles a repressão da censura. “A perseguição fica mais acirrada a partir de 1968, com a declaração do Ato Institucional nº5. A partir daí ele vai ser investigado e passa por uma sequência de seis prisões ao longo do regime”, conta o autor.

A situação se agrava quando os militares ameaçam fechar o jornal onde Cony trabalhava. “Os militares colocaram o ‘Correio da Manha’ contra a parede. Eles disseram: ou cai o cronista ou fechamos o jornal. Como Cony achou que o diário não precisava pagar por sua atitudes, ele decidiu pedir demissão”, relata.

Agenda

O quê. Maurício Guilherme Silva Jr. lança o livro “Cronismo de Resistência”, editora Primas

Quando. Hoje, às 11h30

Onde. Livraria Scriptum (rua Fernandes Tourinho, 99, Savassi)

Quanto. Entrada franca

Saiba mais

O livro “Cronismo de Resistência” (ed. Primas, 337 págs, R$ 54), será vendido por R$ 49 durante o lançamento.

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