Bom pra quase todo mundo

iG Minas Gerais |

O ano mais importante na história do futebol mineiro acabou na última quarta-feira, quando o Atlético, mais do que merecidamente, ficou com o título da Copa do Brasil em cima do maior rival, que acabava de vencer o Campeonato Brasileiro pela quarta vez, sendo a segunda consecutiva. A partida final teve várias nuances, mas vou começar pelas menos desejáveis, como nos telejornais, que veiculam primeiro as notícias ruins para terminarem em alto-astral. Quem acompanha minhas colunas sabe o quanto eu critiquei a postura amadora e desrespeitosa para com os torcedores dos presidentes de Atlético e Cruzeiro na briguinha birrenta e infantil dos ingressos, que acabou com boa parte do Mineirão vazia no jogo de quarta-feira. Uma passagem lamentável e não condizente com o maior clássico de todos os tempos. Quem também parecia querer estragar a festa foram Dagoberto, do Cruzeiro, e Leandro Donizete, do Atlético. Que Dagoberto é criador de caso e que Donizete abusa do direito de jogar rispidamente, todo mundo sabe, mas eles passaram do ponto. Desde o começo do jogo, o volante do Galo deu entradas incompatíveis com o nível emocional da partida, que corria muito bem, apesar de toda a rivalidade. O atacante da Raposa, que entrou no segundo tempo, nitidamente tinha o propósito de irritar Donizete, que caiu na pilha mesmo com o duelo já definido a favor de seu time. Ainda bem que os outros jogadores tiveram bom senso e não compartilharam da falta de esportividade dos dois colegas, que podiam ter provocado uma briga generalizada, que mancharia indelevelmente a noite inesquecível e positiva, mesmo para o Cruzeiro. Fim do primeiro bloco! Em mais de 30 anos acompanhando o futebol de perto, não me lembro de uma final em que os dois times, mesmo o derrotado, e as duas torcidas terminaram a jornada comemorando. Essa imagem encerra o quanto essa final foi fantástica para o futebol mineiro, que dificilmente terá uma outra temporada como a de 2014. Agora, os dois clubes devem começar a planejar 2015, pois estarão na Libertadores, como neste ano, quando isso ocorreu pela primeira vez. A permanência dos dois técnicos deve ser prioridade, mesmo que peçam mais dinheiro, pois merecem, contanto que não seja algo que inviabilize as finanças dos clubes. Quanto aos jogadores, é uma questão de mercado. Se vier uma proposta irrecusável, Cruzeiro e Atlético devem vender, pois precisam manter o caixa em dia para continuar fazendo o que fizeram nos dois últimos anos. Grandes emoções à vista!

Por falar em técnico valorizado, quem também fez muito bonito foi o Tombense, campeão da Série D. O time da Zona da Mata vai jogar a Terceira Divisão em 2015, mas presumo ter dado um vacilo nesta semana. Eugênio Souza, que levou o clube ao maior feito de sua história, não será o comandante da equipe no ano que vem. Segundo o presidente Lane Gaviolle, o treinador ficou muito valorizado e não foi possível chegar a um acordo financeiro para a renovação do contrato. As duas partes poderiam ter cedido um pouco para que ele continuasse. Júnior Lopes, filho de Antônio Lopes, é o novo técnico do Tombense. Pena mesmo é o América, que, devido a um erro administrativo imperdoável e que não foi explicado pelo clube até hoje, deve continuar na Segundona, pois perdeu seis pontos no STJD por ter escalado um jogador irregularmente. Foi vítima de si mesmo. De Boa. Para terminar com chave de ouro, o Boa Esporte (ex-Ituiutaba), só depende de uma vitória, hoje, contra o já rebaixado Icasa, no Ceará, para confirmar o acesso à Série A. Muita gente não entende como um time nessa situação tem sempre o estádio onde joga vazio. Sem desmerecer todo o grande trabalho do Boa, a torcida da cidade do Sul de Minas não tem identificação com o time, mais um itinerante do futebol brasileiro.

Nota 10. Não poderia encerrar esta coluna sem fazer uma menção mais do que honrosa à Polícia Militar de Minas Gerais, que deu um show de segurança no clássico. Ao sair da redação, já por volta de 1h30 da quinta-feira, após a cobertura do jogo, ainda me deparei com muita polícia na rua, dando uma sensação de segurança que não se tem no país. Isso prova que, quando se quer fazer, é possível. Esquema de clássico todo dia!

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