Consumo de carne de cachorro estaria com os dias contados

Mesmo quem come ‘iguaria’ faz questão de dizer que só mata os ‘cães bravos’

iG Minas Gerais | Thomas Fuller |

País tem relação afetiva com animais, e muitos dizem que só matam e comem os cães “bravos”
fotos: Aaron Joel Santos/The New York Times
País tem relação afetiva com animais, e muitos dizem que só matam e comem os cães “bravos”

Baan Klang, Tailândia. A comunidade consumidora de carne canina de Baan Klang, uma pequena minoria de agricultores e boias-frias, há tempos sabe que seus hábitos culinários revoltam muita gente em outras regiões do país, principalmente as classes média e alta, que amam seus cachorros. Mas, agora, começam a se sentir ameaçados.

O governo militar, que tomou o poder de um governo eleito em maio, está elaborando uma lei para proibir o comércio da carne – decisão que, segundo os defensores dos direitos animais, seria uma forma de melhorar sua imagem perante o mundo.

A polícia nacional, pressionada por alguns desses mesmos ativistas, começou a repressão há dois anos, prendendo os envolvidos no negócio que não têm licença para abate nem transporte dos animais.

Além disso, montou operações-surpresa nas florestas onde os cães são abatidos e prenderam o que descrevem como “chefões do setor”, que exportam caminhões lotados de animais para o Vietnã e a China, onde o consumo da carne canina é comum.

Entre os 70 milhões de habitantes da Tailândia, o número de amantes de cachorros é muito maior que o de consumidores de sua carne – e os moradores desse vilarejo pitoresco dizem estar de ambos os lados.

“A gente come só cachorro bravo, aqueles que mordem as pessoas e matam as galinhas”, afirma Praprut Thanthongdee, 45, produtor de arroz que come carne canina desde garoto. Enquanto falava com o repórter, acariciava seu animal de estimação, Money, um vira-lata branco e preto que serve de cão de guarda, companhia nos arrozais, caçador de cobras venenosas e assistente de pastor dos búfalos.

A mulher de Praprut, Jantima Thathongdee, foi presa em julho e condenada a dois anos por criar uma pequena feira de comércio de carne de cachorro. Ela também foi multada em US$ 150, quantia enorme para uma família que possui apenas três búfalos e alguns hectares de arrozais – e ficou indignada com o que considera uma repressão às tradições.

“A carne de cachorro é uma delícia – é que nem a de porco, mas sem a gordura. Não dizem que esse país oferece liberdade? Pois eu deveria ser livre para comer o que quisesse”, reclama Praprut.

O policial que prendeu Jantima diz que encara seu trabalho como uma cruzada pessoal em respeito e compaixão ao animal.

“Quanto mais gente prendemos, mais cães resgatamos. Não suporto vê-los sendo mortos para virarem comida”, confessa o tenente Lamai Sakonpitak, apaixonado por cachorros.

Seu parceiro também é amante dos peludos, mas sabe que as autoridades não podem acabar com o comércio da noite para o dia.

“Não dá para cortar a árvore toda; é preciso ir tirando um galho por vez”, filosofa o tenente Chaleaw Chaihung.

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