Aplicativo de caronas Uber é sucesso, mas está na hora de mudar

Com apenas cinco anos, está em 200 cidades e vale US$ 17 bilhões

iG Minas Gerais | Joe Nocera |

Rodando. Uber já funciona em BH
Reprodução/Internet
Rodando. Uber já funciona em BH

Nova York, EUA. O aplicativo Uber é lindo! Você clica num botão, e ele mostra sua localização. Você toca outro botão e ele lhe diz em quanto tempo um carro do Uber chegará para levá-lo aonde você quer. Se você deseja uma corrida em horário concorrido, ele cobrará mais – preço de surto, como eles o chamam –, mas você fica sabendo com antecedência do valor adicional e pode decidir se aceita ou não. No aplicativo, você pode monitorar o carro que está vindo buscá-lo. O carro chega, você embarca e parte. A tarifa é cobrada por meio do aplicativo, então não há troca de dinheiro entre motorista e cliente. O Uber faz o mesmo que as melhores empresas da internet. Ele rompe com um modelo de negócios que existe há muito tempo. No caso do Uber, essa indústria é o serviço de táxis, que, em quase qualquer lugar, é altamente regulamentado. Motoristas de táxi odeiam o Uber. Em muitas cidades, eles protestam contra a empresa – ou a enfrentam nos tribunais. Em algumas, o serviço é ilegal. No entanto, se você mora em um lugar como a cidade de Nova York, o Uber é uma dádiva de Deus. É quase impossível conseguir um táxi em Manhattan quando está chovendo, ou durante a “mudança de turno” que começa por volta das 16h ou 17h, quando as pessoas estão saindo do trabalho e mais precisam de um táxi. Graças ao Uber, conseguir uma corrida ficou muito mais fácil do que antes da empresa entrar em cena. Além disso, diferente de muitas startu-ps, o Uber parece ser uma empresa bem administrada. Mesmo com apenas cinco anos, já está em mais de 200 cidades. Ele domina os rivais como o Lyft. E possui uma avaliação de mercado em torno de US$ 17 bilhões. Sendo assim, como tudo isso se enquadra com a imagem do Uber que surgiu em novembro? Ela parece ser uma empresa administrada por adolescentes. Recentemente, Ben Smith, editor do Buzzfeed, publicou um artigo sobre uma conversa que teve com Emil Michael, alto executivo do Uber, onde Michael sugeriu que o Uber poderia fazer “pesquisa de oposição” sobre as vidas privadas de repórteres, especialmente de uma que tem sido forte crítica da empresa. Esse é o tipo de fantasia de vingança que não se espera ver em um executivo sério. O artigo no Buzzfeed desencadeou uma corrente de críticas. O presidente do Uber, Travis Kalanick, já declarou à revista “GQ” que a empresa deveria se chamar “Boober” (um trocadilho em inglês com a palavra seios) por ter tornado tão fácil para ele conquistar mulheres. A empresa teria conduzido uma campanha suja contra o Lyft, incluindo a solicitação de corridas que eram então canceladas. Há rumores de que o Uber monitora as corridas de seus clientes, uma violação de suas próprias regras de privacidade. E assim por diante. Peter Thiel, conhecido investidor, descreveu o Uber como a empresa “com maiores problemas éticos” no Vale do Silício (Thiel, deve-se apontar, tem dinheiro investido no Lyft). Parte do problema é que o Uber possui uma mentalidade exageradamente “nós contra eles”. Essa postura se manifesta quando a empresa está combatendo leis de táxis ou outros obstáculos, mas também aparece na forma como eles enxergam qualquer um com quem entram em contato. Empresas que nunca amadurecem costumam seguir o caminho do Groupon ou MySpace, dois cometas hoje enfraquecidos. Por melhor que seja o aplicativo Uber, existem limites para quanta publicidade negativa ele pode absorver antes de ferir sua própria filosofia. No Uber, os pacientes estão comandando o asilo. Isso precisa mudar, enquanto ainda há tempo.

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