Famílias apertam o cinto e freio no consumo aparece no PIB

Resultado positivo foi influenciado pelos gastos públicos, que aumentaram 1,3%

iG Minas Gerais | Marco Antônio Corteleti |

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre em relação ao segundo deste ano, totalizando R$ 1,289 trilhão. O resultado foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o terceiro trimestre de 2013, o PIB recuou 0,2%. O resultado se explica, em parte, pelo fato de o brasileiro ter “apertado o cinto”. Após uma sequência de 11 anos de resultado positivos, o consumo das famílias interrompeu o ciclo de crescimento. O crédito mais caro, os ganhos salariais mais modestos e a inflação pressionada contribuíram para reduzir o resultado do componente – que já foi o principal motor do PIB brasileiro – a uma alta de apenas 0,1% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

O desempenho não era tão fraco desde o terceiro trimestre de 2003, quando houve queda de 1,5%, segundo o IBGE. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, ainda houve um recuo de 0,3% no consumo das famílias, o pior resultado desde o quarto trimestre de 2008, auge da crise internacional.

“A gente já observa o consumidor mais cauteloso, preferindo trocar as compras pela quitação de dívidas, preocupado com o encarecimento do crédito”, disse Tabi Thuler, economista do Ibre/FGV.

O anúncio do tímido crescimento do PIB do terceiro trimestre indica que o ano de 2015 será de arrocho para o brasileiro. Apesar de o resultado significar a interrupção do quadro de recessão técnica (crescimento negativo por dois trimestres consecutivos), o cenário para o médio prazo é preocupante.

Na opinião do coordenador do curso de economia do Ibmec/MG, Márcio Salvato, a queda no consumo das famílias é especialmente preocupante. Para o ano que vem, o consumo das famílias continuará baixo, já que a renda não deve aumentar.

Gastos públicos. Se as famílias estão gastando menos, o governo gastou mais. “O resultado só foi positivo, embora na prática 0,1% indique um quadro de estagnação, graças à elevação dos gastos públicos, que subiram 1,3%”, afirma Salvato. O efeito colateral desse crescimento, na opinião dele, é o aumento da dívida pública, que geralmente acarreta aumento de juros, o que, por sua vez, inibe o crédito e, consequentemente, o consumo das famílias.

 

 

Ao pé da letra

Sem recessão. O diretor do IBGE, Roberto Ramos, disse que os institutos de pesquisa ignoram o conceito de recessão técnica porque ele possui muitas variáveis e não está em nenhuma norma.

Metodologia

Cálculo do PIB vai mudar:

A principal mudança será a atualização do ano-base das Contas Nacionais, sistema pelo qual se mensura o PIB. Passará de 2000 para 2010

O que vai entrar:

Dados da pesquisa de indústria, com ampliação do escopo de produtos pesquisados, e reclassificação de alguns setores.

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