Para as trilhas e o asfalto

Honda VFR 1200X Crosstourer é uma maxitrail equipada com câmbio automatizado

iG Minas Gerais | Raphael Panaro e Eduardo Rocha |

Honda Crosstourer
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Honda Crosstourer

Como o próprio nome denuncia, a Crosstourer é derivada da VFR 1200F, sport touring vendida no Brasil desde abril de 2011, mas voltada para o segmento de maxitrails. O motor, por exemplo, é o mesmo quatro cilindros em V, só que recalibrado para atender melhor as exigências de uma aventureira. Em vez de 172 cv e 13,2 kgfm, a Crosstourer se limita a explorar 129 cv e 12,8 kgfm. A força é entregue em giros mais baixos, exatamente para favorecer uma tocada off-road. A potência vem em 7.750 rpm – contra 10 mil rpm na VFR –, e o torque aparece nos 6.500 giros, em vez de 8.750 rotações da sport tourer.

A transmissão também é a mesma. Isso significa que é uma moderna caixa automatizada de dupla embreagem – sistema usado apenas pela Honda no Brasil – com seis velocidades. Mecanicamente, é semelhante aos encontrados nos automóveis, mas adaptado para o espaço limitado de uma moto.Com o polegar direito, o condutor escolhe o modo D – maior economia – ou o modo S – mais esportividade. Já no modo Manual, o piloto tem total controle sobre as mudanças de marchas, engrenando-as por meio dos comandos + e –, acionados pelos dedos indicador e polegar esquerdo.

A Crosstourer traz o sistema de freios combinado, já utilizado em outras motos da marca no país, que reparte a frenagem entre a roda dianteira e a traseira. Há também controle de tração, que impede que a roda traseira patine em situações de excesso de torque ou baixa aderência. A tecnologia também se faz presente no painel de instrumentos em LCD.

Estética

Na parte frontal, o destaque está no para-brisa e nos faróis sobrepostos. A balança traseira traz o cardã embutido no monobraço no lado esquerdo. Na direita fica a saída dupla de escape. Para reforçar ainda mais o estilo aventureiro, a VFR 1200X Crosstourer é equipada com rodas raiadas de 19 polegadas na frente, e 17 polegadas na traseira, além de pneus de uso misto sem câmara, graças à fixação dos raios ao aro pelas bordas. Na dianteira, tem configuração de 110/80, e, na traseira, utiliza pneu 150/70.

A VFR 1200X Crosstourer é importada do Japão e tem preço sugerido de R$ 76.979

Impressões

É inevitável o estranhamento inicial que uma motocicleta com câmbio automatizado provoca. As reações na VFR 1200X são menos imediatas que em um sistema tradicional, com embreagem acionada por manete e alavanca de câmbio e ela parece hesitante mesmo quando se recorre às trocas sequenciais, através dos botões no punho esquerdo. Esta característica torna difícil a adaptação da Crosstourer ao ambiente urbano. Mas se por um lado ela tem pouca agilidade no trânsito, por outro, a maior altura do guidão, em relação à versão mais social VFR 1200 F,  ajuda a driblar os carros – inclusive porque em movimento, ela é bem leve e fácil de manobrar. Mas não é na cidade, definitivamente, que a dupla proposta da 1200X aparece bem.

Os dois habitats da maxitrail da Honda são as estradas de terra e as rodovias. Ali, os 129,2 cv e os 12,8 kfgm têm chance de se soltarem. Em relação à 1200 F, embora potência e torque sejam menores, o ponto máximo aparece 2.250 giros mais baixos. Isso permite um melhor aproveitamento da força do motor em diversas condições – como as encontradas em viagens de aventura. Essa, inclusive, é a verdadeira vocação das maxitrails.

Na terra, a ótima distância para o solo de 17,9 cm e o bom curso dos amortecedores – 165 mm na frente e até 165 mm na traseira – fornecem boa estabilidade e dirigibilidade. A Crosstourer passa cuspindo os pedregulhos para os lados sem se abalar, enquanto os pequenos desníveis são absorvidos e anulados pela suspensão. No asfalto, o centro de gravidade mais elevado não transmite inicialmente uma grande confiança na hora de pendular nas curvas. Mas conforme se ganha familiaridade com o modelo, percebe-se que, embora não seja uma esportiva, é capaz de sustentar tranquilamente uma “tocada” mais agressiva.

Um dos objetivos da Crosstourer é encarar a estrada e o pequeno para-brisa dianteiro ajuda nisso, ao desviar com eficiência o vento frontal do corpo do piloto, o que retarda o cansaço em viagens longas. O conforto é incrementado ainda pelo assento, largo e com a maciez correta, e também pelo câmbio automatizado, que nestas situações funciona muitíssimo bem. O ponto desfavorável é o nível de vibração do motor que chega ao guidão, e que incomoda. Não chega a ser um grande pecado no caso. Afinal, não é nada que não se resolva com paradas estratégicas de 15 minutos a cada duas horas de estrada. E é até aceitável em um modelo aventureiro que tem foco na robustez, na força e na maneabilidade.

Leia tudo sobre: HondaCrosstoureravaliação