Quando o jazz ganha bossa

iG Minas Gerais | Da redação |

Eumir Deodato é uma das atrações do Tudo É Jazz
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Eumir Deodato é uma das atrações do Tudo É Jazz

O jazz e a bossa nova se conhecem muito bem. Apesar de terem surgido em diferentes contextos – o primeiro nos EUA, no começo do século XX, e o segundo no Brasil, na década de 50 –, eles muitas vezes se encontram. “A bossa nova influenciou muito o jazz atual e é muito cultuada nesse universo”, destaca Maria Alice Martins, idealizadora e curadora do Festival Internacional TIM Tudo É Jazz, que vai reunir nomes ligados aos dois gêneros musicais no próximo fim de semana (dias 6 e 7), em Ouro Preto.

Uma das atrações é Eumir Deodato, que também entende bem dessa intimidade musical entre jazz e bossa nova. “O jazz é irmão mais velho da bossa nova”, define o artista carioca. Deodato tem um currículo tão vasto que é até difícil de resumir. Radicado há mais de 40 anos nos Estados Unidos, ele fez arranjos para Frank Sinatra, Roberta Flack, Aretha Franklin, Kool and the Gang e Bjork – esta, inclusive, entrou diretamente em contato com ele após ouvir uma gravação de “Travessia”, do Milton Nascimento, cujo arranjo é do próprio Deodato. Aliás, foi Deodato um dos primeiros a defender e a acreditar no talento de Bituca quando o mineiro ainda iniciava carreira. Mais recentemente Deodato assinou os arranjos de “Vanessa da Mata Canta Jobim”, CD no qual a cantora e compositora mato-grossense homenageou o Maestro Soberano.   Em Ouro Preto, ele irá se dedicar a outro ofício que domina, o de pianista, e terá ao seu lado Alberto Continentino, no baixo, e Renato Massa Calmon, na bateria. “A gente fica à vontade do freguês (risos), se aparecer coisa de arranjo a gente faz, se aparecer concertos bons a gente também faz. Eu acho que o concerto de Ouro Preto é importante e eu sempre quis fazer, então eu vou com o maior prazer”, conta Deodato.   O repertório deve contar com composições de Baden Powell, Vinicius de Moraes, George Gershwin e Richard Strauss, em uma boa mescla de bossa nova, funk, R&B e jazz que deve agradar ao público, inclusive Maria Alice: “Eu sou fã dele. Na verdade eu faço os shows pra mim porque eu trago os que gosto. Quem fica babando lá na primeira fila sou eu”, diverte-se.   Estrelas A bossa nova será especialmente contemplada na noite de sábado (6), na qual Eumir faz o show de encerramento. Antes se apresentam Matheus Von Krueger, Leo Gandelman, e Wanda Sá & Os Cariocas (num show em homenagem aos cem anos de Dorival Caymmi). “É um grupo de peso que eu queria trazer, que trouxesse uma ideia do que é a bossa nova sem mostrar só aquela que todo mundo acha que é só Tom Jobim”, conta Maria Alice. No domingo (7), é a vez de Rita Lima (revelada no “Prêmio Eldorado – Visa de MPB” e considerada a nova voz da MPB), Adriano Campagnani, Celso Fonseca Trio (violonista, guitarrista e produtor, já tocou com Gilberto Gil e Ana Carolina) e Gianluca Pellerito (com apenas 18 anos de idade, o italiano é uma estrela da cena jazz no mundo).   As apresentações acontecerão em uma concha acústica montada na Universidade Federal de Ouro Preto especialmente para o festival. Para curti-las, basta apresentar o ingresso – que deve ser reservado no site oficial e retirado na portaria do evento até uma hora antes da abertura – e realizar a doação de um brinquedo ou livro infantil. “Este Tudo É Jazz não tem a pretensão de ser o melhor festival de todos, mas certamente vai ser o mais charmoso”, aposta Maria Alice.    Festival Internacional TIM Tudo É Jazz Centro de Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto – Ufop (r. Diogo Vasconcelos, 328, Pilar, Ouro Preto). Dias 6 (sábado) e 7 (domingo). Entrada franca com ingressos reservados pelo site www.tudoejazz.com.br.

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