Mostra democrática

iG Minas Gerais | Da redação |

“Krake” De Regina Welker. “Essa animação infantil alemã traz um Interessante olhar sobre como lidar com a morte”, diz Sávio Leite.
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“Krake” De Regina Welker. “Essa animação infantil alemã traz um Interessante olhar sobre como lidar com a morte”, diz Sávio Leite.

Se engana quem pensa que o universo do cinema de animação se restringe somente às produções infantis da Disney e dos desenhos animados que habitualmente são exibidos na TV. O mercado, considerado muitas vezes um gênero à parte do cinema, vem crescendo dentro e fora do país, mostrando que a diversidade de estilos ao se contar histórias também é coisa de gente grande. Vale lembrar que a primeira animação brasileira foi lançada em 1917, e de lá para cá, mais de 731 filmes foram realizados, segundo a Associação Brasileira de Cinema de Animação.

Provando que o momento é realmente frutífero, salas de vários centros culturais da cidade recebem, dos dias 2 a 18, a Mostra Udigrudi Mundial de Animação (Mumia), que vai reunir mais de 180 filmes de 32 países, divididos em categorias mineiras, nacionais, internacionais e infantis.   Em sua 12ª edição, o festival se mantém como oportunidade única para aqueles que querem conferir produções que dificilmente circulariam entre os grandes meios. “Já vi minhas produções serem apresentadas fora do Brasil e recusadas aqui. Por isso, a minha intenção é realizar uma mostra mais democrática, divulgando esse mercado que muitas vezes é confundido com o mundo infantil”, revela Sávio Leite, produtor e curador da mostra, que na atual edição homenageia o gaúcho Otto Guerra e o norte-americano Ben Pop com mostras de filmes desses importantes animadores.   O festival desde sua origem se diferenciou por não selecionar os filmes exibidos, se posicionado como evento de resistência até mesmo pelo modesto orçamento. “Apesar do cenário atual ser melhor, por causa da internet e das várias novas séries brasileiras, a dificuldade maior é dentro do próprio Estado que não tem indústria. Até para realizar o festival é difícil porque nós nunca recebemos a verba a tempo”, desabafa Sávio.   Novidades Entre as novidades deste ano, a mostra vai ampliar territórios com sessões em diversos pontos de BH e Nova Lima, além de exibir, pela primeira vez, filmes na fachada do Espaço do Conhecimento UFMG.    Ainda com a intenção de atrair novos públicos, o festival oferece quatro oficinas gratuitas para aqueles que querem se aventurar no meio. E, por fim, serão lançados os longas “Até que a Sbornia nos Separe”, de Otto Guerra, com exibição de seus longas e curtas anteriores, além do “O Cinema Animado”, de Arnaldo Galvão, que ao final da sessão conversará com o público presente.   Uma das grandes atrações da mostra este ano, Galvão é um dos mais experientes animadores do país com 36 anos de profissão. Há quatro meses esperando para lançar sua última produção no festival, ele acredita a espera foi necessária. "Há que ser diferenciar começando pelos locais de exibição, além, é claro, dos temas que deve sempre instigar o público. O papel da Mumia nesse sentido é fundamental para a formação de novas plateias”, destaca Galvão.   12ª Mostra Udigrudi Mundial de Animação (Mumia) Em vários locais da cidade. De 2 a 18 de dezembro. Entrada gratuita. Confira a programação completa no blog mostramumia.blogspot.com

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