Para não esquecer

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

Divulgação
"O Mercado de Notícias" (Jorge Furtado, Brasil, 2014) Mesclando a peça homônima de 1625 e depoimentos de profissionais, filme discute o papel da mídia
Durante a Ditadura Militar, a cineasta Lúcia Murat militou em grupo estudantil, ficou na clandestinidade, foi perseguida, presa e torturada. Daquele tempo, restaram um problema de sensibilidade em uma das pernas e muitas memórias. Estas últimas, ela revisitaria em filmes como “Que Bom Te Ver Viva” (1989) e “A Memória que me Contam” (2012).   No ano que marca o cinquentenário do golpe militar, o trabalho realizado por ela é alvo de homenagens na 9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul, que começou no dia 3 de novembro e vai até 20 de dezembro, nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. Em Belo Horizonte, o evento vai da próxima quarta (3) ao dia 8, no CCBB.   “É preciso olharmos para esse momento da nossa história para entendermos os sinais de que a ditadura ainda está presente em nosso cotidiano. A truculência da polícia é um resquício desses tempos, sem contar o fato de que os crimes cometidos naquela época só começaram a ser investigados 48 anos depois (pela Comissão Nacional da Verdade)”, diz a cineasta, que também ressalta a importância do cinema para a sensibilização por meio das emoções e não só da informação.    No entanto, nem a mostra nem a obra de Lúcia Murat se atêm somente ao regime militar. Entre os temas em pauta nas sessões estão também a população LGBT e o enfrentamento da homofobia, questões culturais e territoriais do povo indígena e os direitos da pessoa com deficiência, por exemplo. Os filmes estarão divididos em “Mostra Competitiva”, que tem filmes de temáticas variadas, “Mostra Memória e Verdade”, focada no período militar, e a auto-explicativa “Homenagem Lúcia Murat”.   Entre os assuntos tratados pelos filmes desta última mostra, estão também a colonização dos indígenas e o controle da mídia. “Os filmes da Lúcia não são herméticos, transitam por diversos gêneros de maneira engajada e trazem temas políticos, como a desigualdade social, o preconceito, a mulher, os índios. É uma obra longa e contínua e ela ainda está na ativa. Essa homenagem é mais que justa”, explica Rafael de Luna, coordenador da mostra.   Perspectiva Até a 8ª edição, a mostra se circunscrevia à América do Sul. A partir deste ano, ela se expande para o hemisfério sul, porém sob uma perspectiva geopolítica e não geográfica, com filmes do Egito e da Jordânia, por exemplo. “Decidimos trazer obras de outros continentes, pensando nesses contextos socioeconômicos parecidos, apesar de culturas muito distantes, e na importância dos direitos humanos no debate sobre essas questões”, diz o coordenador. “Além disso, são filmes importantes para formarmos um panorama do cinema contemporâneo que às vezes não chegam até nós no Brasil”.   Haverá ainda a sessão “Inventar com a Diferença”, que exibe filmes-carta produzidos por alunos de 300 escolas públicas. “Um projeto com o mesmo nome da sessão levou, no início do ano, metodologia e exercícios de cinema como ferramenta para ajudar crianças e escolas a dialogar, discutir os direitos humanos e entender o mundo. O mais surpreendente nos filmes produzidos é a extrema criatividade. São aparentemente despretensiosos, mas muito sensíveis”.   9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul Centro Cultural Banco do Brasil (praça da Liberdade, 450, Funcionários, 3431- 9400). De 3 (quarta) a 8 de dezembro. Gratuita. Sessões a partir das 13h. Confira programação no site www.mostracinemaedireitoshumanos.sdh.gov.br

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