Retrato do anjo bom da Bahia

iG Minas Gerais | Da redação |

Filme revê trajetória da freira que dedicou a vida a amparar doentes e miseráveis
downtown filmes/divulgação
Filme revê trajetória da freira que dedicou a vida a amparar doentes e miseráveis

Logo no começo da missão de Irmã Dulce, um médico diz: “essa moça não vai viver muito. Seus problemas respiratórios antecipam pouco tempo de vida”. Apesar da dificuldade para respirar que a deixava ofegante, e representava esforço adicional à sua luta diária pelos pobres, Irmã Dulce viveu muito. E fez o bastante para ser indicada ao Nobel da Paz, beatificada pela Igreja e candidata a santa. E neste que é o ano de seu centenário, sua história é revista no longa que leva seu nome e estreia neste fim de semana. (confira roteiro na página 16)

Dirigido por Vicente Amorim, o filme contempla a vida da religiosa da década de 1940 aos anos 1980. Capaz de atravessar Salvador (BA) de madrugada para dar colo a um menino de rua ou de pedir verba a um político em pleno palanque, Irmã Dulce enfrentou inimigos externos (o preconceito, o machismo, os dogmas) e um interno (a doença respiratória incurável) para cumprir seu compromisso com os menos favorecidos e desenvolver uma obra social sem igual no Brasil, com creches, hospitais e centros educacionais.

Orçada em R$ 9,5 milhões e filmada em seis semanas em Salvador, a produção é uma história de amor ao próximo. “Irmã Dulce é amor puro e doação. É a definição de santidade e humanidade. Ela era uma pessoa de fé, obstinada, mas engraçada. Ela fazia tudo em prol de um bem maior”, define Amorim.

As atrizes Bianca Comparato e Regina Braga se revezam na interpretação da protagonista. Bianca vive a freira a partir dos seus 19 anos, e Regina assume o hábito aos 45 anos da personagem. Ambas convencem não só pela semelhança física, mas também pelo semblante, olhar, trejeitos e, especialmente, pela sensibilidade com que dão vida à mãe protetora do povo baiano, como Irmã Dulce é conhecida até hoje em Salvador.

Mergulho

As duas atrizes se mudaram para a capital baiana durante as filmagens e participaram de uma preparação intensa. “O que mais me ajudou foi passar alguns dias no Convento do Desterro. Fazia todas as atividades junto com as irmãs e eu e Regina dormimos uma noite no claustro”, conta Bianca. Ela diz que procurou ao máximo humanizar a personagem, buscando saber mais sobre sua personalidade. “Ela adorava futebol. Era torcedora do Ipiranga e jogava bola com os meninos na rua quando criança”. Regina chegou a ter noções de acordeão para interpretar a religiosa tocando o instrumento. “Adoro esse lado pop de Irmã Dulce e a alegria das músicas que ela tocava”, diz a atriz, que se emociona com a trajetória da personagem. “É um exemplo de dedicação como nunca vi. E não é uma caridade ofensiva nem culpada. Ela se dedicava porque é o correto. Há uma questão ética em Irmã Dulce que permanece atual. Não foi por acaso que ela teve todos aqueles problemas e enfrentou resistência dentro da própria Igreja”.

O roteiro de L.G. Bayão e Anna Muylaert foi baseado em pesquisas, leitura das biografias disponíveis e inúmeras entrevistas e conversas com pessoas que conviveram com Irmã Dulce. “Na Bahia é difícil encontrar alguém que não tenha uma história dela para contar: ou aconteceu com a própria, ou com um parente, ou com um conhecido próximo”, conta Amorim, que alerta: “não se trata de um documentário sobre Irmã Dulce, mas de um filme de ficção baseado na sua vida”.

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