Nelson Motta celebra seus 70

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira |

Nelson Mottatem dois novos musicais a caminho dos palcos
TV Globo / Zé Paulo Cardeal
Nelson Mottatem dois novos musicais a caminho dos palcos

A coisa que Nelson Motta mais detesta é nostalgia. “Me entreguei a tudo com grande intensidade, de maneira que acabo não tendo saudade de nada”, diz o jornalista, compositor, escritor, roteirista e produtor paulistano de nascimento e carioca de coração. Tanto é que no último dia 29 de outubro, ele completou 70 anos e quem ganhou presentes foi seu público: o livro “As Sete Vidas de Nelson Motta” (ed. Foz, 226 págs, R$ 40, em média) e o disco “Nelson 70”, que serão autografados na próxima quarta (3), na livraria Mineiriana.

A publicação reúne 27 textos inéditos e outras 69 crônicas emblemáticas do crítico, publicadas originalmente nos jornais “O Globo” e no extinto “Última Hora” (entre 1967 e 1969), a fim de construir a trajetória de Nelson como jornalista e testemunha de antológicos momentos da história da música popular brasileira.   Já o disco, lançado pela Som Livre, homenageia o Nelson letrista e traz novas versões de velhos sucessos assinados por ele e parceiros. No álbum, cantores como Lenine, Ed Motta, Marisa Monte, João Donato, Jorge Drexler, Céu, Gaby Amarantos, Maria Gadu, Fernanda Takai e Silva dão novos ares a “Certas Coisas”, “Como uma Onda”, “De Repente, Califórnia” (três hits na voz de Lulu Santos) e “Perigosa” (parceria dele com Rita Lee que fez grande sucesso com as Frenéticas).   Laila Garin, que interpretou Elis Regina no musical “Elis – A Musical” (baseado em texto de Nelson e Patricia Andrade) encerra o disco com “Noturno Carioca” e completa o rol dos amigos que o multifacetado Nelson convidou para cantar. “(A escolha dos músicos e cantores) foi afetiva. Uma das melhores coisas deste trabalho é eu me senti muito amado. É o resumo da minha vida mesmo. Um atestado de vitalidade. Com a regravação de minhas músicas, fui obrigado a voltar à maneira como cada uma delas foi feita, com sua própria história. Foi uma viagem muito boa”, comenta Nelson, ressaltando que as escolhas mais difíceis foram para as músicas mais populares. “‘Como uma Onda’, que todo mundo já cantou, só poderia ser mesmo uma voz estrangeira e maravilhosa, como a de Jorge Drexler”, revela.    TV e teatro O projeto “Nelson 70” inclui ainda uma série de oito episódios que o Canal Brasil exibe até o dia 17 de dezembro – sempre às quartas, às 20h30. Cada vez mais confiante para invadir outras mídias, Nelson, que se diz desiludido com a música brasileira, já tem outros dois musicais no gatilho. Um deles, previsto para estrear no Rio, em janeiro, conta a história oscilante de Wilson Simonal. O outro, ainda em estágios iniciais, remontará a final do festival da canção da Record de 1967.   “A MPB atingiu seu teto e perdeu a importância, a transcendência e a ambição dos anos 60. Os grandes continuam produzindo em alto nível. Estou sempre ligado em música nova – adorei os novos do Criolo e do Moreno Veloso”, revela Nelson, que pretende cada vez mais se dedicar aos musicais e ao teatro.   Uma biografia musical de sua própria história, no entanto, não parece estar no script. “Bem, boas músicas não faltam, mas acho que falta drama, grandes viradas, dramaturgia. Daria um bom show, ou um desfile de escola de samba, quem sabe”.   Nelson Motta Noite de autógrafos de livro e disco Livraria Mineiriana (r. Paraíba, 1.419, Funcionários, 3223-8092). Quarta (3), às 19h. Entrada gratuita.

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