Rússia de ares tupiniquins

Durante todo o trajeto, relógio corre horas à frente: dormir é apenas um detalhe

iG Minas Gerais | Paulo Campos |

Krasnoyarsk.  Estação ferroviária é porta de entrada
Paulo Campos
Krasnoyarsk. Estação ferroviária é porta de entrada

Às margens do rio Yenissei, Krasnoyarsk está a quatro fusos horários de Moscou (ou 4.098 km, o que dá uma boa ideia da dimensão da Rússia). No caminho até a cidade, nos deparamos com florestas de taiga, típica vegetação da Sibéria. Com inspiração no Brasil, a cidade plantou muitas palmeiras, que, a partir de agora – será inverno, no hesão recolhidas, em função do frio. Uma dica ali é um passeio de barco pelo rio Yenissei, o mais caudaloso do país.

Outra atração são quatro pontes de ferro sobre o rio, a mais longa, com 4 km de extensão. Krasnoyarsk é uma das poucas cidades que visitamos que é plana, não tem muitos morros. Há um único, que permite uma bela vista panorâmica. Outra curiosidade é um teatro em formato de barco. Não é em Moscou ou São Petersbugo que a Rússia se revela, mas em cidades como essa.

Irkutsk

De volta ao trem antes do pôr do sol, somos tomados pela ansiedade. Adiantamos o relógio e torcemos para chegar logo a Irkutsk, cidade mais próxima do lago Baikal. Às margens do rio Angara, ela é a capital da Sibéria Oriental. No cruzamento das rotas antigas de comércio da seda e do chá, a cidade, de 700 mil habitantes, foi povoada pelos cossacos e, posteriormente, pelos russos. Fundada em 1661, seu objetivo era construir ali uma cadeia para prisioneiros políticos. Com Irkutsk, foi amor à primeira vista. O escritor Tchekhov a definiu como “uma cidade europeia, bonita, civilizada e limpa”.

Concerto

À noite, o programa em Irkutsk mescla hist A cidade foi uma das bases do movimento dezembrista, um levante contra a monarquia para libertar os camponeses da escravidão. Nossa visita à casa do príncipe Sergei Volkonsky foi um passeio pela vida do nobre e pela arte russa. E, em um sarau, fomos presenteados com um concerto de músicas do século XIX, o que levou a seleta plateia ao delírio. De volta ao trem, pudemos dormir.

A rota Transiberiana ainda nos levou a Ulan Ude, o último destino na Rússia, Ulan Bator, na Mongólia, e a Pequim, na China

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