Paisagens exuberantes e rica história

Marcas de guerra e templos religiosos; como é um lugar sagrado, mulheres e homens precisam cobrir as partes desnudas do corpo.

iG Minas Gerais | Paulo Campos |

Espalhados pelo parque estão sete templos dedicados aos mortos no massacre
Paulo Campos
Espalhados pelo parque estão sete templos dedicados aos mortos no massacre

No dia seguinte a parada é na cidade metalúrgica de Yekaterinburg, capital dos montes Urais, a cadeia montanhosa que divide a Europa e a Ásia. No KM 2.102, ao lado da via férrea, começa oficialmente a Sibéria, uma das maiores e mais instigantes regiões do planeta.

Yekaterinburg, porém, guarda a história de uma tragédia: na noite de 16 de julho de 1918, o último czar russo da dinastia Romanov, Nicolau II, sua mulher e seus cinco filhos foram assassinados em uma caverna, que se transformou em um parque. Apanha-se uma estrada e, a 30 km depois da cidade, outro caminho.

Como é um lugar sagrado, mulheres e homens precisam cobrir as partes desnudas do corpo. O local, que no passado abrigou um jazigo de ouro, hoje é parque e mosteiro de peregrinação.

Durante o regime comunista, foi um importante centro bélico, abastecendo a Rússia de armas e maquinário. Às margens do rio Iset, o lugar se tornou uma região rica em minerais e um centro de produção cultural e científica – curiosamente, possui 23 teatros, 30 cinemas e cem salas de exposições.

Um hora a mais e o trem para em Novosibirsk (na tradução, “cidade nova”), depois da passagem por extensas planícies. Com 1,5 milhão de habitantes, a capital da Sibéria é considerada uma “cidade jovem” – fundada em 1893, só tem 121 anos. De Yekaterinburg até lá, a viagem durou um dia e um fuso horário a mais.

A primeira parada foi na praça Lênin – a maioria das cidades russas destruiu símbolos do comunismo, mas Novosibirsk não. Depois, o passeio seguia pela avenida Vermelha até o centro, para ver a catedral de Alexandre Nevsky, de estilo bizantino, construída com tijolos vermelhos, cúpula dourada e vitrais coloridos.

Segundo guias locais, comunistas tentaram dinamitá-la diversas vezes, e nunca a puseram abaixo. Às margens do rio Ob, a cidade surgiu e cresceu em função da rota Transiberiana, em torno de uma ponte construída para permitir a passagem do trem.

Novosibirsk tem, também, o mérito de reunir os maiores cientistas da Rússia em mais de 40 institutos de pesquisa, que deram suporte a um complexo industrial-militar que ajudou a transformar a ex-União Soviética em uma superpotência.

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