Roberto Bolaños sempre expressou sua paixão pelo esporte

Fã do América do México, ator esteve próximo de contracenar com Pelé e sempre utilizou em suas obras referências esportivas

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Quem nunca se pegou utilizando a frase "Era melhor ter visto o filme do Pelé". A simples expressão, com seus traços humorísticos característicos, revela um pouco da paixão do ator mexicano Roberto Bolaños pelo futebol. Aos 85 anos, o criador do Chaves faleceu nesta sexta-feira, em Cancún, mas deixou um legado que irá perdurar por gerações.

Dono de uma capacidade artística à frente do seu tempo, Bolaños sempre utilizou-se de referências esportivas em suas obras. Diversos episódios do seriado Chaves, o mais famoso em solo brasileiro, fazem menções a duelos futebolísticos. Na década de 1970, o artista mexicano chegou a receber um telefonema de Pelé.

O Rei do Futebol estaria interessado em gravar um longa-metragem ao lado dos personagens mexicanos. No entanto, o projeto não foi levado adiante por Bolaños, que não via o Chaves como um personagem adequado ao mundo cinematográfico.

Mas isto não impediu que Chespirito prestasse sua maior homenagem ao esporte nas telonas. Em 1978, Bolaños lançou o filme "El Chanfle", uma película no formato pastelão em que ele interpreta Chanfle Segundo, roupeiro do América, o clube do seu coração. Na versão original de Chaves, inclusive, "El Chanfle" é o verdadeiro "filme do Pelé".  A paixão pelos Águias sempre foi acompanhada pela admiração de Bolaños ao atacante Enrique Borja, um dos maiores ídolos do América e que defendeu a seleção mexicana nas Copas de 1966 e 1970. 

Veja "El Chanfle": 

A produção conta com praticamente todo o elenco que sempre o acompanhou, entre eles Carlos Villagrán, que fez Kiko, em Chaves. Ele interpreta Valentino, o grande craque do time, enquanto Ramón Valdez, o famoso seu Madruga, é o treinador Moncho Reyes. O filme ganhou uma continuação em 1982. 

Veja "El Chanfle 2": 

Nos episódios de Chaves, além da paixão pelo futebol, outros esportes são mencionados por Bolaños. Casos do beisebol e do futebol americano, modalidades que mostram a estreita relação do México com os vizinhos norte-americanos. Em outra criação de sucesso, o famoso Chapolin, Bolaños expressa sua intimidade com o boxe, esporte em que chegou a ser campeão na categoria minimosca na adolescência. Por isto, grande parte da habilidade atlética e reflexos apurados do herói colorado eram provenientes da sua paixão pela nobre arte.