Não tenho mais reflexos', diz piloto da Gol ao cancelar voo atrasado

Esgotamento físico levou um piloto a desistir de conduzir um avião que deveria decolar em direção ao Rio de Janeiro

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O esgotamento físico levou um piloto da Gol a desistir de conduzir um avião de Confins (na região metropolitana de Belo Horizonte) ao aeroporto Santos Dumont, no Rio, na noite de segunda-feira (24).

O voo deveria decolar às 20h15 da cidade mineira, mas, devido às longas esperas causadas pelo mau tempo no Rio, os passageiros só embarcaram por volta das 23h. Após mais um tempo de espera dentro da aeronave, o piloto abortou a viagem.

O episódio foi revelado pelo "Jornal da Band", que exibiu um vídeo feito de dentro da aeronave por um dos 115 passageiros do voo G3-2125, registrando o momento em que o piloto fazia o comunicado.

"Eu vou ser sincero com todos vocês: eu não tenho nem mais reflexos, eu não tenho mais condições físicas", disse o piloto pelo sistema de som da aeronave.

"A legislação brasileira é bem clara: existe um limite de jornada possível para os pilotos e os comissários", completou o comandante, cujo nome não foi revelado pela companhia aérea. Apesar de a carga horária da tripulação ter sido extrapolada, não havia no aeroporto nenhuma equipe que pudesse substituir os colegas e evitar o transtorno para os passageiros, conforme orientam os órgãos de fiscalização.

A reportagem procurou a Gol, que confirmou a ocorrência e o fato de que o limite da jornada de trabalho dos pilotos e comissários tinha sido atingido.

O problema ocorreu, segundo a companhia, a "atrasos nas etapas voadas anteriormente provocados pelas más condições meteorológicas que atingiram o Rio de Janeiro naquele dia". A atitude do piloto, segundo a Gol, foi correta.

"O comandante decidiu corretamente interromper a jornada dos tripulantes a bordo, informando aos clientes sobre a regulamentação da categoria. A companhia aplica permanentemente o monitoramento e controle das jornadas de trabalho de seus colaboradores e desenvolve programas de gerenciamento de fadiga alinhados às melhores práticas da indústria da aviação mundial", informou, em nota.

A empresa informou ainda que ofereceu alimentação e hospedagem aos passageiros e "trabalhou incansavelmente" para reacomodar os 115 clientes que seguiram para o destino final com cerca de sete horas de atraso.

A Gol se desculpou pelo "desconforto" e acrescentou que "eventuais alterações nos horários e trajetos de voos são procedimentos, ainda que indesejados, às vezes necessários às operações aéreas".

A companhia também invocou a questão da segurança aérea: "A Gol reitera que preza pelos mais altos padrões de segurança, principal valor de sua política de gestão".

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