O cara!

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E o burro com sorte segue pela estrada à fora trilhando seu caminho de conquistas por entre as montanhas mineiras. Levir Culpi levantou o seu troféu de número 11 comandando a dupla Raposa/Galo em território mineiro. Uma carga preciosa de ouro e prata que ficará para sempre na galeria desses dois grandes clubes brasileiros. Depois de uma temporada de seis anos de meditação no Japão, voltou mais calmo, talvez não tão burro, mas com a mesma sorte. A sorte dos que nasceram para dar certo. Mas, não é fácil ter sucesso no mundo da bola. Comandar grupos de seres humanos é muito complicado, se for um grupo de jogadores de futebol é preciso ter algo especial. Esse algo pode ser uma qualidade comum aos inteligentes e aos burros. Um pouco tímido, bem-humorado e sincero. Levir cultua preceitos que o colocam à frente da maioria dos profissionais da sua classe. Talvez nem ele mesmo saiba o que aconteceu para transformar um time que estava fadado ao um fim de ciclo em campeão. Mas também não precisamos buscar explicação para tudo que acontece. Do Atlético do Autuori para o Atlético de Levir muita coisa mudou. Ele teve a coragem para colocar o dedo na ferida exposta e bater na vaidade dos vaidosos.

Haja garganta. Do alto da posição de transmissão das emissoras de rádio e TV no Mineirão pude observar alguns fatos que me marcaram na grande decisão da Copa do Brasil. Fiquei impressionado como 2.000 pessoas que gritam com a alma e com o coração intimidam 38 mil que estavam em dúvida se acreditavam em um feito difícil, mas não impossível.

Cordiais. Quando todos estavam voltados para os jogadores em campo, Marcelo Oliveira deixou o banco e foi dar uma abraço em Levir Culpi. Foram poucos segundos, mas o suficiente para transmitir uma mensagem grandiosa para os que não sabem usar as figuras de linguagem comuns ao futebol e à guerra. Vi ali o encontro dos dois melhores treinadores do nosso futebol.

Dois lados. Foi algo inesquecível presenciar, ao final do jogo, as duas torcidas comemorando as conquistas dos dois maiores títulos do futebol brasileiro. A do Cruzeiro reconheceu o esforço e o cansaço dos jogadores, que há três dias tinham conquistado o Brasileiro, de novo. Do outro, os atleticanos, eufóricos pela conquista de um título inédito.

Espaço. A decisão expôs também a fragilidade do sistema de trabalho empregado pela administradora do estádio. Profissionais que trabalham em todos os jogos da temporada acabam tendo o seu trabalho prejudicado pelas emissoras que aparecem só para trabalhar nas decisões. Nada contra isso, mas é preciso ter uma alternativa que atenda um grupo sem prejudicar o outro.

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