Não está fácil para ninguém

iG Minas Gerais |

Recuperar algo é sempre uma tarefa difícil. Se esse algo tiver alguma relação com credibilidade e confiança, a missão é quase impossível. Assim, 2015 está prometendo muita dificuldade para o país. Será um ano para recuperação, que deverá também vir acompanhada de todos os problemas que os brasileiros já conhecem em menor ou maior intensidade. A saúde da economia é a primeira na fila da recuperação. O país registra um crescimento pequeno, muito menor do que era esperado pelo governo, e ainda não conseguiu encontrar uma receita que solucione o problema sem permitir que a inflação volte a ser um fantasma. Em outras palavras, emprego e renda são uma dupla que deverá se manter bem escondida no ano que vem. O estímulo ao desenvolvimento interno foi a principal arma das administrações petistas para garantir mais vagas no mercado de trabalho e salários maiores. Assim, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi fundamental para a criação de empregos, especialmente no setor da construção civil. Assim como o Minha Casa, Minha Vida também teve papel importante. Já a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para a indústria automobilística também teve papel fundamental na ampliação do índice de empregabilidade, que é um importante indicador econômico. Ou seja, os planos e ações do governo pretenderam e, em alguma medida, conseguiram, além de atingir os seus objetivos setoriais, manter a economia aquecida e os trabalhadores empregados. Entretanto, o investimento na economia interna não consegue por um tempo mais prolongado manter esses bons resultados. O consumo interno tem limites, estabelecidos pela necessidade de compra e pela capacidade de pagamento de salários da iniciativa privada. O governo Dilma Rousseff tem agora o desafio de encontrar outra fórmula para alimentar o crescimento econômico, manter o nível de emprego e, principalmente, conter a inflação que, ainda em patamares aceitáveis, pode vir a ser uma grande ameaça. Portanto, as perspectivas para 2015 não são as melhores. A luz amarela está acesa para alguns riscos, o que não significa que o país vai afundar em uma profunda crise, como anda alardeando a oposição ao governo federal. A presidente Dilma tenta, com o anúncio da nova equipe econômica, se manter com as rédeas nas mãos. Escolhe uma equipe relativamente conservadora para assegurar cumprimento de metas e superávit. Certamente, ela sofrerá algumas críticas se a diretriz econômica se sobrepuser à social. Dilma Rousseff mostra que vai correr alguns riscos políticos e nenhum na economia. Parece preferir as críticas do PT a deixar a economia solta.

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