Contagem é a prioridade do PT

O vereador Zé de Souza (PT) em entrevista exclusiva ao jornal O TEMPO Contagem fala sobre o convite do PCdoB recebido pelo Partido dos Trabalhadores para compor uma base aliada. Além disso, ele revela as preocupações e benefícios caso os partidos se tornem aliados.

iG Minas Gerais |

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Como você avalia o convite para o PT fazer parte da base aliada do governo Carlin Moura? Considero que o convite feito pelo governo deve ser recebido pelo PT como um movimento político natural. O PCdoB é nosso aliado histórico e faz parte da base de sustentação do governo Dilma e agora também do governo Pimentel. Durante os oito anos de mandato da prefeita Marília Campos, o PCdoB participou ativamente da administração municipal. Ou seja, não podemos negar que existe uma forte relação política entre os dois partidos.

“Elegemos a maior bancada na câmara e temos hoje dois deputados estaduais do PT que são de Contagem. O PT foi o partido mais votado nas eleições 2014 na cidade, tanto para deputado estadual quanto para federal, ou seja, temos muita representatividade em Contagem”.

Todos sabem da relação entre os dois partidos, mas a cidade vivenciou uma disputa acirrada no segundo turno das eleições 2012. O que mudou de lá pra cá? Por que agora é ventilada a possibilidade do PT participar do governo Carlin Moura? De fato disputamos as eleições em 2012 contra o PCdoB. Perdemos aquele processo eleitoral, mas conseguimos manter a nossa força na cidade. Elegemos a maior bancada na Câmara e temos hoje dois deputados estaduais do PT que são de Contagem. Aliás, se analisarmos os números veremos que o PT foi o partido mais votado nas eleições de 2014 na cidade, tanto para deputado estadual quanto para deputado federal, sendo 83.657 mil votos (28,3%) e 62.592 mil votos (23%), respectivamente. Ou seja, temos muita representatividade em Contagem. Prova disso, é a votação consagradora de Marília Campos, nossa principal liderança. Ela foi a deputada estadual mais votada em toda a história de Contagem com mais de 60 mil votos na cidade, que representa cerca de 20% dos votos válidos. Com isso, posso afirmar que estamos bem posicionados no município. De 2012 até hoje, a conjuntura mudou significativamente, e considero que o PT se fortaleceu ainda mais na cidade. A possibilidade do PT participar do governo é ventilada em razão do convite feito ao partido. No entanto, ainda não definimos qual será nossa posição. Estamos avaliando e dialogando com nossas lideranças e com a militância petista. Não podemos tomar uma decisão precipitada e muito menos baseada em interesses particulares. Temos que pensar no que é melhor para a cidade e também para o partido.

Sobre a disputa interna que existe no PT entre os grupos da ex-prefeita e deputada Marília Campos e do deputado Durval Ângelo, qual será seu impacto nessa decisão? Essa polarização interna entre Marília e Durval está mais do que superada. Podemos considerar que o PT em Contagem vive a consolidação de uma unidade que teve inicio na escolha de Durval como candidato a prefeito, quando unificamos o partido em torno de sua candidatura. Em seguida, no ultimo processo de eleições internas que aconteceu em 2013, Marília e Durval apoiaram a minha candidatura para presidente do partido. Ou seja, posso assegurar que o PT está muito unido em Contagem. Evidentemente, temos divergências internas, pois isso faz parte da nossa história e da tradição da esquerda. No entanto, em Contagem hoje estamos focados o mesmo objetivo que é o fortalecimento do PT, a defesa do legado dos governos da Marília e, acima de tudo, a busca de um diálogo cada vez mais afinado com a cidade.

“Considero que uma eventual composição política com o atual governo deve ser fundada em um pacto programático, visando o que é melhor para a cidade. Não estamos orientando as discussões no sentido da ocupação de cargos”.

Qual será a posição do PT sobre este convite do governo? O que vocês estão pensando em fazer? Estamos avaliando com muito cuidado e respeito. Tenho conversado com diversas lideranças do nosso partido no sentido de escutar e reunir elementos para uma avaliação mais correta do atual cenário. Particularmente, considero que uma eventual composição política com o atual governo deve ser fundada em um pacto programático, visando o que é melhor para a cidade. Não estamos orientando as discussões no sentido da ocupação de cargos. Não é do nosso perfil esse tipo de construção, e não dependemos de cargos na administração para sobrevivermos politicamente. Haja vista que estamos há dois anos fora da administração municipal e crescemos muito nesse período. Sendo assim, a relação do PT com o governo não pode ser fisiológica, e sim uma relação fundamentalmente programática. As conversas estão evoluindo nesse sentido. Temos algumas preocupações estratégicas com os rumos de Contagem e consideramos que o governo deve reorientar suas ações em diversas áreas.

Poderia dar alguns exemplos de quais seriam essas “preocupações estratégicas” ou mesmo os termos de um provável “pacto programático”? Conhecemos bem a cidade de Contagem e compreendemos os enormes desafios enfrentados pela administração municipal. Trata-se de uma cidade grande com baixa arrecadação e pouca capacidade de investimento. Ou seja, cidade grande com demandas e problemas de grandes cidades e orçamento de cidades médias. Nesse sentido, consideramos fundamental pensarmos em novas e inovadoras intervenções em áreas estratégicas, tais como as políticas de mobilidade e expansão urbana, realizando ajustes e intervenções inteligentes na organização urbana, bem como obras de infraestrutura viária; a reestruturação da política fiscal do município, criando mecanismos que aumente a arrecadação, diminua os gastos públicos e amplie a capacidade de investimentos; a reestruturação das políticas na área da Saúde, conclusão da maternidade e do Pronto-Socorro JK e uma profunda reorganização na gestão da saúde no município; a revisão e rediscussão do atual modelo das Funecs, pois consideramos que se trata de um modelo insustentável, ineficaz e extremamente oneroso para a cidade; o fortalecimento das políticas de educação infantil com universalização do atendimento qualificado às crianças de 0 a 6 anos; a modernização da gestão utilizando das novas Tecnologias da Informação e Comunicação como ferramentas de simplificação, desburocratização, transparência e fomento a novas formas de participação popular; o fortalecimento da Fundação Municipal de Cultura como instrumento de fomento e valorização da produção artística e cultural local. Esses são alguns dos principais pontos que consideramos fundamentais debatermos com o atual governo, além de outros que devem balizar uma eventual composição política, baseada em um pacto programático.

“Estou convencido que esta decisão (de aliar ao PCdoB) deve ser construída com base em um entendimento comum entre os principais grupos e as principais lideranças do partido, junto com toda nossa militância”.

Se o PT entrar para o governo, como ficará o partido em 2016? Ocupará a vaga de vice? Não podemos antecipar determinadas discussões. Além disso, é importante ter claro que recebemos um convite para compor a base aliada do governo municipal que já está praticamente no meio do mandato. Ou seja, não estamos tratando de uma aliança para as eleições de 2016. Considero que o PT está muito bem posicionado na cidade. Temos hoje em nossos quadros a maior liderança política da história de Contagem, a ex-prefeita Marília Campos. Não podemos desconsiderar também que há uma tendência do povo de Contagem pelo “volta Marília”. Nesse sentido, a direção do PT deve conduzir tal processo com muita responsabilidade e serenidade. Não é o momento de manifestarmos qual será nossa posição em 2016. Se teremos candidato ou candidata à prefeitura ou se apoiaremos uma eventual reeleição do atual prefeito Carlin. Ainda é muito cedo para discutirmos e definirmos tal posicionamento. É necessário prudência e cautela. Neste momento, temos que manifestar se aceitaremos ou não o convite do Governo e, caso aceitemos, teremos que dar transparência ao processo, deixando claro para a cidade quais são os termos de uma eventual aliança fundada em um pacto programático. Reitero, não estamos interessados em cargos, e sim no bem-estar da população contagense. Nosso compromisso é com a cidade.

Quando o PT anunciará sua decisão? O PT é um partido grande que convive com diferentes visões e opiniões. Além disso, temos um modelo de organização baseado na democracia interna e na livre manifestação da militância. Desse modo, estou empenhado na construção do que chamamos de consenso progressivo. Não acho que o melhor caminho seja tomarmos uma decisão na base do voto dos membros diretório municipal. Talvez fosse um caminho mais tranquilo e menos trabalhoso. No entanto, estou convencido de que esta decisão deve ser construída com base em um entendimento comum entre os principais grupos e as principais lideranças do partido, junto com toda nossa militância. Assim, não tem como estabelecer uma data para anunciarmos tal decisão. Posso garantir que, enquanto presidente e interlocutor do partido com o governo, estou bastante empenhado nesse processo. Mas, como disse, precisamos construir pela via do comum acordo e do consenso progressivo. Precisamos exercitar nossa capacidade de diálogo e fortalecer ainda mais nossa tradição democrática.

Seu grupo tem a maioria na direção municipal. É possível que esta decisão provoque um racha no PT? Caso a decisão seja remetida ao diretório para votação, qual será a sua posição? Como disse, estou empenhado e convencido de que devemos acumular elementos para tomarmos a decisão mais acertada e, acima de tudo, baseada no entendimento comum. Não vejo possibilidade de racha ou divisão, pois existe um clima interno de diá-logo muito bom. Além disso, estamos todos focados e unificados em torno de um mesmo objetivo que é o fortalecimento do PT, a defesa do legado dos governos Marília e, acima de tudo, o bem-estar do povo contagense. Desse modo, tenho certeza que tomaremos a decisão certa e da forma correta. Já cometemos muitos erros no passado e creio que estamos mais preparados e amadurecidos. Temos compreensão do que está em jogo e sabemos que o PT não pode deixar de disputar os rumos de Contagem. Caso tenhamos alguma discordância, tratará-se de uma divergência no campo da tática, pois na estratégia temos tudo para seguir unificados.

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