Paredes para a memória

UFMG promove seminário para discutir o Museu do Clube da Esquina, previsto para ser inaugurado em 2017

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Futuro. Projeção elaborada pela Mach Arquitetos mostra como será a parte externa do museu quando as obras forem concluídas
Mach Arquitetos
Futuro. Projeção elaborada pela Mach Arquitetos mostra como será a parte externa do museu quando as obras forem concluídas

O projeto para transformar o Museu do Clube da Esquina em um espaço físico já data quase uma década. Atualmente, o museu funciona apenas no mundo virtual, por meio de um site que abriga imagens e depoimentos de integrantes do movimento. Porém, a Associação dos Amigos do Museu Clube da Esquina (AAMUCE) queria dar paredes concretas ao espaço e, para isso, se juntou à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Desde então, avanços foram feitos, bem como planos foram traçados para que a inauguração do espaço ocorra em 2017. Para apresentar o andamento do projeto para a comunidade, será realizado hoje, no campus Pampulha da UFMG, o I Seminário de Organização do Museu Clube da Esquina e Centro de Referência da Música de Minas – órgão ligado à autarquia, que também ocupará o espaço.

“O centro foi integrado ao projeto por já apresentar um trabalho de investigação sobre o Clube da Esquina e por realizar um trabalho de pesquisa sobre a música produzida em Minas Gerais”, explica a professora da Fafich e uma das coordenadoras do projeto, Betania Figueiredo.

A docente adianta que dentro do museu haverá vários núcleos com atividades educacionais. “Além do núcleo de pesquisa, criamos um outro que estimulará o estudo sobre história, arte, educação física e música para jovens de escolas públicas de Belo Horizonte”, comenta.

Essa estrutura interdisciplinar, que será abordada nas mesas do seminário, é um reflexo dos objetivos da UFMG, que emprega ações em conjunto com a Escola de Música, Fafich e Escola de Ciência da Informação. “A ideia é termos um espaço dinâmico que ofereça múltiplas formas de interação. Desde performances gravadas a visitação de acervo. Queremos um espaço que não se restrinja a exposições”, diz a coordenadora.

É claro que, mesmo com toda a múltipla programação, um grande acervo sobre o movimento será permanente no museu. Tal acontecimento é recebido com alegria por Márcio Borges, integrante do movimento. “Ver a perpetuação dessa parte da memória acontecer é importante para a história da cidade e dos movimentos musicais nacionais. E saber que o museu será frequentado por jovens, por causa das atividades educacionais, anima muito mais”, diz.

O letrista participa de uma conversa no seminário ao lado de musicólogo Zuza Homem de Melo e do músico Chico Amaral, às 16h.

O local. Para receber toda essa programação prevista pela UFMG, o governo de Minas cedeu o espaço onde funcionava o Servas, atrás do Palácio da Liberdade, para a construção do museu. Outra parceria foi estabelecida com o Governo Federal, que forneceu recursos para criação do projeto arquitetônico, cujo desenvolvimento está a cargo de Mariza Machado, da Mach Arquitetos. “O local abrigou por muitos anos caixas de bombas d’água. Antes do Servas ir para lá, porém, foram realizadas construções que tamparam partes lindas do local. Queremos resgatar esses espaços e, dessa forma, ligar o valor simbólico de distribuir água, fonte de vida, à ideia de que o espaço vai distribuir música e conhecimento para todas as pessoas”, comenta.

Para isso, lajes e pequenas construções do local serão demolidas, dando espaço, por exemplo, para um café a céu aberto com amplo espaço para exibições artísticas e equipado com painéis acústicos que tornam a área adequada para receber apresentações de música de câmara, clássica, entre outras.

Para chegar até esse ponto, no entanto, requer ainda mais esforços e superação de alguns obstáculos, confessa Betania. “Talvez o maior problema que tenhamos seja o fato de termos de lidar com política pública cultural. Nesse caso, é importante que instâncias federais, estaduais e municipais dialoguem e que entendam que esse museu é um patrimônio histórico de Minas Gerais”, diz a coordenadora, que já planeja integrar o futuro museu ao Circuito Cultural Praça da Liberdade.

A programação completa está disponível no site www.eci.ufmg.br.

Agenda

O quê. I Seminário de Organização do Museu Clube da Esquina e Centro de Referência da Música de Minas

Quando. Hoje, a partir das 9h

Onde. Escola de Ciência da Informação, sala 1.000, campus Pampulha

Quanto. Entrada franca

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