Na onda libertária desse amor

Banda do Mar, formada por Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e o português Fred Ferreira estreiam amanhã em BH

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Trio. Marcelo Camelo, Fred Ferreira e Mallu Magalhães já têm uma seita de fãs
Kenton Thatcher/DIVULGAÇÃO
Trio. Marcelo Camelo, Fred Ferreira e Mallu Magalhães já têm uma seita de fãs

Mallu Magalhães canta provocações como “roubo o seu sono, quero teu tudo”, enquanto liberta dancinhas desinibidas que revelam uma mulher bem diferente da garotinha tímida que surgiu entre os intervalos da MTV fazendo covers de Bob Dylan na internet; Marcelo Camelo não quer mais saber de banquinho e violão de nylon e deixa claro aos berros que “eu tô contigo, irmão, e não tenho mais medo do mundo”; o baterista português Fred Ferreira, até então desconhecido para os fãs da dupla, incorpora um estilo hard rock abusado em cima das letras solares do casal 20 da música contemporânea brasileira.

“Somos todos velhos amigos, e cada um contribui de forma minuciosa para esse projeto. Já no primeiro show, pegamos o hábito de virar o microfone para a galera várias vezes. Todo mundo canta tudo, como se abraçassem a gente, que está tão feliz no palco”, diz Marcelo Camelo, em entrevista ao Magazine, sobre os integrantes da Banda do Mar. É nesse clima de uma afinidade para além dos estúdios de gravação e imersos em uma onda de amor contagiante que o trio luso-brasileiro apresenta o elogiado primeiro álbum homônimo, em sua estreia em Belo Horizonte, amanhã à noite, no Music Hall.

Muito além das harmonias em deleite e das letras em exaltação ao Carnaval, à saudade e ao litoral, a Banda do Mar tem feito barulho – muito barulho. Depois da estreia em Porto Alegre e dos primeiros shows no Rio de Janeiro e em São Paulo, o trio mostrou um caráter catártico no palco, tocando o novo álbum na íntegra e sendo seguidos por uma seita de fãs que decoraram rapidamente os versos do disco lançado pela Sony Music em agosto deste ano. “É pouco tempo, mas tudo aconteceu tão naturalmente que a assimilação do público também foi assim”, pontua Camelo.

Natural, aliás, é a palavra que o trio mais gosta de usar em entrevistas e justificativas para o sucesso instantâneo da parceria. E foi assim mesmo. Em um jantar em Lisboa, onde Marcelo e Mallu vivem há cerca de um ano, os três afinaram as ideias para conceber a Banda do Mar. Em um ano, 12 músicas haviam sido escritas, vinhos compartilhados e um novo conceito concebido de música, que passeia pela Jovem Guarda, o pop praiano, surf music e um quê pontual da guitarrada baiana com um toque beatlemaníaco em melodias agradáveis. “Enquanto eu trouxe minhas composições, bagagem e foco, o Fred participou muito da produção, dando sugestões para homogeneizar o som, deixar o disco mais acelerado e com aquelas notas que a gente praticamente pede para ouvir na sequência uma da outra. E a Mallu introduziu a feminilidade dela com um outro olhar mais delicado. Mas tudo bem simples, não tem arranjo complexo”, diz Camelo.

SHOW. No palco, a Banda do Mar ganha vida por um conjunto simplório, com Marcelo Camelo nas guitarras, vocais e chocalhos, Mallu por conta dos violões, guitarra semi-acústica e percussão, e Fred Ferreira, na bateria. Para dar corpo à apresentação, mais dois músicos velhos conhecidos da trupe foram convidados para os shows no Brasil. Gabriel Bubu, ex-Los Hermanos e atual integrante da banda Do Amor, assume a guitarra base, e Marcos Gerez, do banda Hurtmold, que acompanhou Marcelo Camelo em sua carreira solo, assume o baixo. “Eles pegaram as músicas quase de ouvido, foi mais fácil do que a parceria entre nós três”, brinca Camelo.

Além de tocar todas as 12 canções do novo álbum, como “Hey Nana” e “Mais Ninguém”, hit que rendeu o primeiro videoclipe do grupo, Marcelo e Mallu também abrem espaço para pequenos pout-pourris de cada um. Por parte dele, canções como “Vermelho”, do álbum “Toque Dela” (2011), ganha versão com a banda completa, enquanto “Além do que Se Vê” é interpretada apenas na guitarra pelo ex-Los Hermanos. Já Mallu investe em hits que se assemelham à Banda do Mar, como “Olha Só, Moreno” e “Velha e Louca”, ambas do último disco da cantora, “Pitanga” (2011), não por acaso com produção de Camelo.

Para completar, Camelo adianta: “apesar de a Mallu ter mais jeito pra dançar, eu também vou ensaiar meus passos e vamos colocar todo mundo pra se mexer”.

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