Restaurantes populares podem ser fechados

Denúncia foi feita por vereadores; moradores das regiões do Alterosas e do PTB seriam prejudicados

iG Minas Gerais | José Augusto Alves |

Restaurante Popular do Alterosas serve cerca de 700 refeições diariamente
Nelson Batista
Restaurante Popular do Alterosas serve cerca de 700 refeições diariamente

Segundo denúncias de vereadores, o governo quer fechar dois restaurantes populares no município. As unidades que seriam afetadas são as dos bairros Alterosas e PTB. A denúncia foi feita na reunião da Câmara de terça-feira (25). Segundo o vereador Antônio Carlos (PT), essa é mais uma medida “absurda” da atual gestão. “O governo está alegando que essas duas unidades são mantidas com recursos do município e que a prefeitura não tem dinheiro para mantê-las. Essa é uma desculpa esfarrapada. Não podem fechar esses restaurantes, porque quem vai ser prejudicada é a população mais carente”, disse. “As outras unidades, que são a do centro, a do Imbiruçu e a do Teresópolis, não vão ser fechadas porque são mantidas com recursos do governo federal, através do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS)”, completou.

Ainda de acordo com ele, a unidade do Alterosas serve 700 refeições diárias, e a do PTB, 600. “Para muitas pessoas dessas regiões, a única refeição balanceada e de qualidade que eles têm no dia é quando almoçam no restaurante popular. Então, se é para cortar gastos, que cortem os cargos comissionados desnecessários, que incham a máquina pública”, completou.

O vereador Sapão (PSB) também denunciou a possibilidade. “Eu fiquei sabendo que, na reforma administrativa que irá acontecer, alguns restaurantes seriam fechados. Isso não pode acontecer, principalmente quanto ao do Alterosas (seu reduto eleitoral), que atende a mais de 700 pessoas por dia, pois tem muito comércio, e a população é grande. O restaurante só não beneficia mais gente porque a estrutura é pequena”, acrescentou.

Quem também frequenta os restaurantes populares reprovou a possibilidade. Um deles é o aposentado Antônio Carlos, 60. “Eu acho um absurdo fechar o restaurante. Deveriam cortar os cargos-fantasma, porque eles prejudicam a cidade. Os restaurantes, não. A corda sempre arrebenta para o lado do mais fraco. Espero que Carlaile não faça isso”, disse.

Conforme constatou a reportagem de O Tempo Betim em visita ao Restaurante Popular do Alterosas, o local atrai centenas de pessoas. Lá, a revolta também é unânime. “A prefeitura diz que serve apenas 200 refeições aqui, mas são, pelo menos, umas 700 por dia. O problema não está nos restaurantes, mas, sim, na prefeitura. Centenas de pessoas carentes que precisam desse local vão ser prejudicadas. É um direito nosso”, disse o líder comunitário da região, Joaquim Marcelino. Ainda segundo ele, um abaixo-assinado já está sendo providenciado pela população da região para evitar a medida.

A agente de combate a endemias Deisiane Xavier concorda com a situação. Ela frequentemente almoça na unidade do PTB. “Tudo é desculpa para cortar gastos, até o nosso salário não aumenta por causa disso. Quem trabalha na rua, como eu, almoça nos restaurantes porque é uma refeição boa e com preço acessível. Além disso, o ticket que a gente tem não dá para nos alimentar em outros restaurantes”, afirmou.

Quem também frequenta o local é o professor Edson Pinheiro de Souza. “Eu acho um erro (fechar a unidade), porque beneficia muita gente aqui. Não encontramos outro lugar aqui no bairro. Além disso, ficaria muito mais caro nos alimentar em outros restaurantes”. 

Posição

De acordo com o líder do governo na Câmara, o vereador Eliseu Xavier (PTB), ainda não é oficial a decisão de fechar os restaurantes. “Cada refeição custa R$ 6, e o valor pago é R$ 2. Isso acaba gerando um alto custo para a prefeitura, pois a mão de obra é cara. Além disso, há uma lei federal que diz que para cada 100 mil habitantes, deve ter um restaurante popular. Em Betim, são 400 mil pessoas e seis unidades, ou seja, temos duas a mais”.

Em nota, a prefeitura informou que todas as unidades de restaurante popular passarão por adequação de políticas de segurança alimentar, o que irá incluir pequenos reparos nas instalações e manutenção de equipamentos. “Por conta disso, ficarão, entre os dias 19 de dezembro e 12 de janeiro, fechados para o público. No dia 13 de janeiro de 2015, todas as unidades serão reabertas”, diz. 

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