‘Matar cães não inibe avanço da leishmaniose’

Afirmação é do professor da escola de veterinária da PUC Minas Vítor Ribeiro que defende outras medidas

iG Minas Gerais | José Augusto Alves |

Veterinário diz que uso de colar inseticida é eficaz contra a doença
João Lêus
Veterinário diz que uso de colar inseticida é eficaz contra a doença

Com a morte de um cobrador de 48 anos devido à leishmaniose, no bairro Jardim das Alterosas, e o surgimento de outros casos na cidade, a tensão tomou conta da população. Entretanto, segundo o professor de doenças infectocontagiosas da Escola de Veterinária da PUC-Minas Vítor Márcio Ribeiro, a leishmaniose visceral, apesar de grave, tem tratamento.

Segundo ele, matar animais não diminui os casos da doença. “No Brasil, há 50 anos, focam como solução de combate à leishmaniose a prática de exterminar cães. Entretanto, essa é uma medida ineficaz, pois se mata muito, mas os casos da doença só aumentam. É preciso adotar outras medidas de prevenção. O cão não é o vilão sozinho”, disse.

Ainda de acordo com o especialista, há tratamento para a doença e formas de preveni-la. Segundo ele, o exame não é 100% confiável, pois pode apresentar falhas. Com isso, é importante que os donos dos cachorros procurem um especialista para tirar as dúvidas sobre o resultado. “Uma maneira de se evitar a doença é o uso do colar inseticida. Ele funciona como uma barreira ao flebótomo (conhecido como mosquito-palha, transmissor do protozoário da doença), não deixando que o animal seja infectado. É uma maneira eficaz. E até aquele que está com a doença deve usar esse colar durante o tratamento, pois, assim, ele não transmitirá a doença”, explicou. “Outra medida é disponibilizar a vacina contra a leishmaniose para a população. O poder público deveria fazer isso”, completou.

Para o médico veterinário, é preciso melhorar o saneamento básico, evitar o desmatamento e investir em educação e conscientização. “Gasta-se muito em matança dos animais, sendo que há maneiras de combater a doença sem o extermínio deles. Matar não vai acabar com a leishmaniose. Controlar o transmissor também é essencial”, afirmou a especialista.

“Há outras medidas para combater a leishmaniose que não são exterminar os animais. O tratamento existe”, completou a presidente da Sociedade Protetora dos Animais de Betim, Zilda Cabral.

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