Operador tinha contrato com BR

Empresa de Fernando Baiano era sócia de outra que administra cartões dos postos Petrobras

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Fernando Baiano encerrou sociedade com a FTC um mês antes da sétima fase da Lava Jato
GERALDO BUBNIAK/AGB/ESTADÃO CON
Rede. Fernando Baiano encerrou sociedade com a FTC um mês antes da sétima fase da Lava Jato

Brasília. O lobista Fernando Baiano, preso na operação Lava Jato, já foi sócio de um expoente do caso Israel, escândalo de importações fraudulentas em São Paulo durante a gestão do governador Orestes Quércia (1938-2010). Fernando Baiano pertenceu, até este ano, de sociedade que tinha com Arie Halpern, pivô do escândalo paulista, em empresa que mantém contratos com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. O caso Israel começou em 1988, quando Quércia, do PMDB, firmou contratos sem concorrência no valor de US$ 310 milhões (em valores da época) com o então consul israelense em São Paulo para compra de equipamentos eletrônicos. As importações, feitas por meio da empresa de Halpern da época –a Trace Trading Company–, sofreram superfaturamento, segundo investigações. Denunciado pela Justiça por fraude processual, tentativa de corrupção de perito e corrupção ativa, Halpern chegou a ser preso em maio de 1993. Agora, mais de 22 anos depois, ele mora na Suíça, de acordo com documentos recebidos pela Justiça em um dos processos gerados pela operação Lava a Jato. Halpern foi um dos fundadores da FTC Cards Processamento no Brasil. Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção da estatal, se tornou sócio da mesma FTC em 2012 por meio de uma outra empresa, chamada Technis, com uma participação de R$ 7 milhões. A FTC atua no processamento do serviço de cartões de fidelidade e promoções na rede de postos da bandeira Petrobras e das lojas BR Mania. Em outubro de 2014, um mês antes da deflagração da sétima fase da Lava Jato, os sócios excluíram a Technis da sociedade e devolveram R$ 7 milhões à empresa do lobista. Transpetro. O juiz federal Sérgio Moro autorizou nesta quinta que o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro tome o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, em sua própria residência – onde cumpre prisão domiciliar –, sobre o suposto enriquecimento ilícito do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, e sobre sobrepreço nas obras de ampliação do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). O magistrado, que conduz os processos da Operação Lava Jato – esquema de cartel, corrupção e propina na estatal petrolífera – alertou sobre o impedimento de interrogar o réu sobre políticos e autoridades com foro privilegiado.

Auditoria Apuração. O Conselho de Administração da Petrobras deve avaliar o resultado de pelo menos dois relatórios de auditorias internas na próxima reunião, no dia 12 de dezembro.

Repatriação Solicitação. É ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, quem está pedindo oficialmente a devolução e transferência para uma conta do governo brasileiro dos cerca de US$ 26 milhões que ele escondeu em contas bancárias na Suíça. Agilidade. Isso explica porque o Brasil deverá obter a repatriação da fortuna em tempo recorde – semanas ou poucos meses – passando por cima de várias etapas do procedimento normal na Suíça para devolução de dinheiro sujo. Negociação. O acordo entre Brasil e Suíça começou a ser negociado tão logo Paulo Roberto foi preso. O acusado aceitou assinar um papel em que pedia e autorizava a Suíça a desbloquear o dinheiro.

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