Câncer infantil: pais devem ficar atentos a sintomas

Perda de peso, palidez, febre baixa e dor óssea ou nas juntas são alguns indícios da doença; atividades lúdicas contribuem para o tratamento

iG Minas Gerais | Da Redação |

Crianças da Fundação Sara fazem atividades recreativas que contribuem com o tratamento de câncer
JOÃO GODINHO/OTEMPO
Crianças da Fundação Sara fazem atividades recreativas que contribuem com o tratamento de câncer

Na semana em que se comemorou o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil – no domingo (23) –, histórias de crianças e adolescentes que enfrentam a doença são exemplos de que a vida difícil pode ser levada com menos problemas. Um exemplo é o da estudante Tamires Lorraine, de 15 anos.

Em março, ela descobriu que tinha um sarcoma fusocelular de alto grau (tumor maligno) na tíbia direita (que fica no joelho). “Eu gostava muito de jogar bola e, uma vez, comecei a sentir dores no joelho. Fui a um ortopedista e, quando tirei raio-X, apareceu uma mancha no osso. Ele, então, já me encaminhou para um oncologista. Quando fiz as biópsias, ficou constatado o tumor”, conta.

Ela já fez sete ciclos de quimioterapia e fará uma cirurgia nesta sexta-feira (28) para a retirada do tumor. Segundo a mãe dela, a dona de casa Cristiane Alves Santos, apesar da gravidade da doença, a reposta da filha ao tratamento a surpreendeu. “Apesar dos pesares, ela foi muito alto-astral, me dando até forças. Só no momento em que o cabelo começou a cair e decidimos  rapá-lo é que ela sofreu um pouco mais psicologicamente. Mas, no restante, ela lutou com muita força. E o apoio dos amigos e da família também foi muito grande, como na escola, onde fizeram até uma homenagem para ela”, afirmou.

O câncer em crianças e adolescentes, felizmente, é mais raro. No Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer, em 2012 (ano da última pesquisa), ocorreram 11.530 novos casos da doença. Os tipos mais comuns são leucemias (33%), tumores do sistema nervoso central (20%) e linfomas (12%). Ao contrário do que ocorre com os adultos, casos em que o álcool, o tabaco e a vida sedentária contribuem para o surgimento da doença, o câncer infantil, muitas vezes, não tem uma causa específica.

“Na maioria dos casos, não se conhece a causa. Alguns são devidos a predisposição genética. Não existe associação com tabagismo, etilismo, hábitos de vida, como ocorrem em adultos”, explicou o médico oncologista Amândio Soares. “Perda de peso, palidez, anemia, febre baixa constante, dor óssea ou nas juntas sem histórico de trauma no local e massas abdominais são alguns indicadores de tumores em crianças. Por isso é importante que os pais fiquem atentos à saúde dos filhos e os levem sempre ao pediatra, relatando qualquer alteração no comportamento ou no corpo da criança”, completou.

Lúdico Para ajudar no tratamento do câncer em crianças e adolescentes, uma das maneiras é buscar o lúdico. Há locais que fazem esse papel, como a Equipe da Alegria, um grupo de voluntários da Fundação Sara, de apoio à criança com câncer. Eles promovem brincadeiras com os pequenos, sessões de cinema e outras atividades. “São momentos de distração em que o foco é tirado da doença, e conseguimos proporcionar uma rotina normal para eles, coisa que não podem ter sempre”, disse a psicóloga da fundação, Evelyni Machado.

Conscientização

Nessa quinta (27) se comemorou, ainda, o Dia Nacional de Combate ao Câncer. Para o oncologista Charles Pabla, é essencial que as pessoas tenham uma vida saudável. “Álcool, tabaco e sedentarismo elevam o risco de câncer. Além disso, essas datas comemorativas são importantes para as pessoas se conscientizarem dos riscos da doença. E um ponto fundamental: quando o câncer é descoberto no início, aumentam as chances de cura”.

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