Ex-diretor da Petrobras entrega conta de operador do PMDB

Paulo Roberto Costa revelou em sua delação premiada que Fernando Baiano recebeu R$ 2,5 milhões da cota de 1% da propina cobrada pelo PP

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Fernando Baiano é acusado de receber R$ 2,5 milhões de propina
GERALDO BUBNIAK/AGB/ESTADÃO CONT
Fernando Baiano é acusado de receber R$ 2,5 milhões de propina

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa revelou em sua delação premiada que o homem apontado como operador de uma ala do PMDB no esquema de cartel e corrupção nas obras da estatal, Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, recebeu R$ 2,5 milhões da cota de 1% da propina cobrada pelo PP e apontou o banco onde foi feito o depósito no paraíso fiscal de Liechtenstein. Costa disse ainda que recebeu R$ 3 milhões de Fernando Baiano e que os dois viajaram à Suíça, quando soube da conta do operador.

As revelações do ex-diretor de Abastecimento podem levar Fernando Baiano a fechar acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Conforme o Estado revelou ontem, a suspeita é que o PMDB, por ser um partido com lideranças fragmentadas, tinha vários operadores na Petrobrás.

Negativa

Sob risco de pegar uma pena superior à que foi aplicada ao operador do mensalão, Marcos Valério - 40 anos - , Fernando Baiano está recolhido na Custódia da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 17.

Ele afirmou que "nunca recebeu qualquer valor de Paulo Roberto", em depoimento no dia 21. Indagado se tem recursos depositados no exterior, respondeu ter duas contas em Liechtenstein, mas negou ser operador do PMDB ou envolvimento no esquema alvo da Lava Jato.

As revelações de Costa, no entanto, colocam em xeque a versão de Fernando Baiano. O ex-diretor de Abastecimento afirmou que não só deu dinheiro da cota do PP a Fernando Baiano, como recebeu dele R$ 3 milhões. Costa declarou ter ouvido dele a informação da existência de "R$ 4 milhões no exterior", durante uma reunião que tiveram na Petrobrás.

"( Fernando) enviou para uma das minhas contas a quantia de R$ 3 milhões", revelou Costa, que fez delação e confessou os desvios em troca de redução de pena. Ele comprometeu-se a devolver R$ 70 milhões.

"Em um encontro na Diretoria de Abastecimento ele ( Fernando Baiano) me disse que tinha depositado R$ 4 milhões em uma conta no exterior."

"Uma vez eu fui com Fernando para a Suíça. Lá eu soube da conta dele em Liechtenstein", contou o ex-diretor que apontou ainda o nome do "responsável pelas contas" do operador do PMDB. "Ele enviou dinheiro meu para a Liechtenstein."

Fernando Baiano declarou à PF uma conta em Liechtenstein que está em seu nome e outra em nome de sua empresa, Technis Engenharia e Consultoria. Ele garantiu que movimenta nessas contas apenas recursos próprios "e de forma oficial".

Na ação penal sobre desvios na Refinaria Abreu e Lima o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento afirmaram que PT, PMDB e PP controlavam diretorias na Petrobras, por meio das quais arrecadavam propina para partidos e campanhas. Apontaram Fernando Baiano como operador do PMDB atuando via Diretoria Internacional.

A PF suspeita que o reduto de ação de Fernando Baiano na Petrobras era a Diretoria Internacional, que foi comandada por Nestor Cerveró, personagem emblemático da compra da Refinaria de Pasadena, nos EUA, indicado pelo PMDB ao cargo. A Justiça Federal já bloqueou quase R$ 9 milhões em suas contas e nas de suas empresas - além da Technis, a Hawk Eyes Administração de Bens Ltda.

Cerveró e o PMDB negam relações irregulares com Fernando Baiano. O advogado de Fernando Baiano, criminalista Mário Oliveira Filho, disse desconhecer a possibilidade de seu cliente fazer delação premiada. "Ele ( Fernando Baiano) disse na PF logo que se apresentou que não é isso tudo que lhe atribuem."

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