Seca e entressafra fazem o preço do limão taiti disparar

Apesar da alta, não há impacto na inflação nem no índice que mede custo da cesta básica

iG Minas Gerais | Marco Antônio Corteleti |

Vai refrescar. Preço do limão bateu em R$ 12,99, por causa de seca, entressafra e do calorão que fez em outubro
Uarlen Valério
Vai refrescar. Preço do limão bateu em R$ 12,99, por causa de seca, entressafra e do calorão que fez em outubro

A velha expressão “fazer do limão uma limonada” nunca foi tão atual. Isso porque o preço da fruta, do tipo taiti, alcançou patamares estratosféricos, chegando a ser negociado a R$ 10,90 o quilo nos sacolões e supermercados de Belo Horizonte na primeira quinzena de novembro.

De outubro para novembro, o preço chegou a aumentar 173,18%, segundo levantamento feito mensalmente pelo Procon Assembleia. Nesta quarta, já apresentando uma tendência de queda, o limão foi negociado a R$ 7,84 pela Ceasa Minas. Mas, ainda assim, esse valor seria suficiente para comprar meio quilo de alcatra bovina ou dois quilos de feijão tipo carioquinha. De acordo com o coordenador de Informações de Mercado da Ceasa Minas, Ricardo Fernandes Martins, as causas para o aumento abrupto do ingrediente-chave da caipirinha são a estiagem prolongada, a entressafra (de setembro a novembro) e as altas temperaturas em outubro, que fizeram aumentar bastante a procura pela fruta. A combinação de seca com entressafra fez com que a caixa de 27 kg da fruta fosse negociada entre R$ 90 e R$ 100 em outubro. O valor, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), é 20 vezes maior do que os R$ 5 por caixa cobrados em período de safra. A queda do preço, segundo o coordenador de Informações de Mercado da Ceasa Minas, deve se acentuar a partir de dezembro. Gerente de um sacolão em Contagem, Arnaldo de Almeida Oliveira disse que, mesmo com o preço elevado, a demanda pelo limão continuou alta, já que as pessoas têm o hábito de levar pelo menos duas unidades. Na sua loja, o limão chegou a R$ 12,99 por quilo no início de novembro. Nesta quarta, porem, era comercializado a R$ 7,49. Ao ver o preço da fruta que sempre compra, a supervisora escolar Flora Mendes Barbosa desistiu de levar o produto, que usaria para temperar uma tilápia. “Vou deixar para colher o limão de uma plantação que tenho no meu sítio no fim de semana, pois realmente está muito caro”, ressalta. Inflação. De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead) da UFMG, a alta do limão não irá impactar na inflação nem encarecer a cesta básica. Isso porque a fruta, mesmo sendo amplamente usada pela população, não faz parte de nenhuma das listas de alimentos utilizadas no cálculo dos dois índices. 

Consumo pode crescer Variedade mais difundida no Brasil, o limão taiti ainda possui um grande potencial de crescimento no país. De acordo com o IBGE, a média de consumo per capita no país é de 0,549 kg/ano, enquanto a média mundial é de 1,94 kg/ano. O maior produtor é o Estado de São Paulo, com 76% da produção – lá, principalmente os pequenos produtores estão comemorando o preço alto. (MAC)

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