Uma tentativa de classificação geral dos políticos

iG Minas Gerais |

Este artigo foi escrito e enviado antes da oficialização de nomes citados para compor o novo gabinete ministerial, principalmente o de Joaquim Levy. Tão bom que, depois de Mantega, me parece um sonho. O provável indicado não cabe neste governo de patranhadas. E daí, alguma reação eficaz? Só se for de adesão, mediante alguma troca. Mas, de onde e de quem? Todos já aderiram. Ora! O que rejeitam é ficar de fora. Em política, mormente aqui no Brasil, tudo é possível. “E la nave va”, dividida entre racionais, ideológicos, irresponsáveis, ignorantes e corruptos. Os primeiros ocupam a posição mais honrosa; são os mais raros e jamais fogem da raia, seja no curso da discussão, seja na tomada da decisão, simples ou das mais complexas. São confiáveis por natureza e podem até errar, sem, contudo, nunca naufragar com a nau das bobagens. E “pour cause” são escassos e se entediam com o conceito equivocado, vazio. No Brasil, a cada eleição ou movimentação política de maior significado, se estreita o espaço onde esses homens – e desse naipe – atuam. “Hélas”! A seguir, os ideológicos. Para ser sincero, tenho horror dessa espécie de homem público, sejam eles militantes políticos ou tecnocratas. Irritam os ouvidos dos sábios (mais os destes) e os dos sabedores, não só pela audácia da falsa firmeza que exibem, mas também pelas definições com que, intoxicados pela ideologia e pelo diletantismo, teimam em fazer de outras pessoas lacaios intelectuais das suas verdades arrevesadas e maldigeridas. Só eles podem governar os homens. Positivistas atrasados, se julgam os únicos preparados para o exercício do poder, autoritária e indefinidamente. Os irresponsáveis costumam ser mansos e os mais numerosos e, via de regra, maiores danos causam à administração pública. Partem do princípio de que compromissos são para os outros; para eles, os seus próprios interesses e as maneiras de satisfazê-los. Se algum obstáculo de bom senso se lhes põem à frente, que seja derrubado pelo modo mais eficaz. Consequências? Nem falar. O que de fato conta são os resultados, traduzidos em ganhos em favor da sua clientela. Esta, sim, é que importa, porque é ela que lhes mantém o prestígio e lhes assegura a participação no poder. E a legião dos ignorantes cuja maioria compõe o corpo eleitoral? No passado, era bem mais fácil manipulá-los. Voto de cabresto, currais eleitorais onde se despejavam os eleitores para, dali, serem levados às seções eleitorais onde depositavam os votos que lhes corriam como o mel. Aquilo acabou, mas sempre se armam alternativas para fraudar. Complicado é bolar soluções para corrigir a prática perversa e “pôr o povo a pensar”, conforme o poeta da Abolição, de quem nem ouviram falar. Enfim e, sem esgotar a fauna, os corruptos, em espetacular ascensão nesses últimos 12 anos – e continuariam fagueiros não fossem a PF, o MP e o Judiciário, embora a dra. Dilma pense que a profilaxia é mérito do seu governo (!?). Mas aí se há de fazer um tratado, não um simples artigo.

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