Dilma anuncia ministros nesta quinta e abre transição de governo

Presidente prioriza a definição de nomes em pastas da área econômica para combater crise

iG Minas Gerais |

Brasília. Os novos ministros da Fazenda e do Ministério do Planejamento serão anunciados pela presidente Dilma Rousseff nesta quinta. Os escolhidos, entretanto, não tomarão posse nos próximos dias, conforme havia sido dito por integrantes do governo. Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), eles vão atuar em uma equipe de transição. “Os integrantes da nova equipe vão despachar no Palácio do Planalto”, afirmou nota da pasta.  

Assim, os atuais ministros, Miriam Belchior (Planejamento) e Guido Mantega (Fazenda), continuarão nos cargos por ora. Não foi informada a data de saída. “Não está prevista solenidade de posse”, diz o texto da Secom. Eles serão substitutos por Nelson Barbosa e Joaquim Levy, respectivamente.

O arranjo é inusual, uma vez que equipes de transição ocorrem geralmente entre governos de partidos diferentes – há até previsão legal para criação de cargos nesses casos.

Também não fica claro quem irá anunciar e executar as medidas do pacote fiscal que a Fazenda está alinhavando para tentar dar combate ao rombo nas contas do governo.

Segundo o ministro Thomas Traumann (Comunicação Social), os novos ministros falarão sobre a situação ainda nesta quinta, após o anúncio de sua indicação.

O episódio é mais um passo na novela da troca do comando da área econômica. Após a recusa do presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, o nome de Levy, que também trabalha no banco, foi colocado na mesa.

Na última sexta-feira, auxiliares de Dilma fizeram chegar à imprensa que Levy, Barbosa e o presidente do BC, Alexandre Tombini, comporiam o novo time da área econômica. A Bolsa subiu, dado o perfil mais ortodoxo de Levy, mas a instabilidade continuou durante a semana, porque não houve confirmação dos nomes.

Equilibrista. Depois de assinar um abaixo-assinado no qual cobra da presidente Dilma Rousseff coerência entre o discurso de campanha e práticas de governo, o teólogo Leonardo Boff disse, nesta quarta, que a presidente “deve fazer um jogo equilibrista” na indicação dos novos ministros do segundo mandato. Boff se reuniu com Dilma no Palácio do Planalto, em audiência acompanhada pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Frei Betto e representantes do Grupo Emaús também participaram da conversa. “A presidenta deve tomar as decisões que ela acha as mais adequadas, especialmente considerando certas conjunturas e também a pressão violenta que os mercados sofrem, prejudicando a política”.

Tesouro Depois de escolher Joaquim Levy para comandar o Ministério da Fazenda durante seu segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff poderá ter, pela primeira vez, uma mulher ocupando um cargo estratégico na equipe econômica. A ex-secretária municipal da Fazenda do Rio de Janeiro, conhecida pelo combate à evasão fiscal, Eduarda La Rocque, deverá ser a indicada pela presidente para comandar a Secretaria do Tesouro Nacional. Ele já foi sondada por Levy.

Kassab diz que PSD não tem demanda BRASÍLIA. Em meio a um elogio contido sobre as indicações da presidente Dilma Rousseff para sua nova equipe econômica, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab afirmou nesta quarta que o PSD fará parte do segundo mandato da petista, mas não apresentará reivindicação. Questionado sobre a escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, o presidente nacional do PSD disse apenas: “eu gostei”. Ele repetiu a expressão em relação à senadora Kátia Abreu na pasta da Agricultura.

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