Thriller raso é elevado por boa atuação de Darín

iG Minas Gerais |

Darín e Rueda vivem o pior pesadelo de um pai em thriller raso
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Darín e Rueda vivem o pior pesadelo de um pai em thriller raso

Pode uma letra escrita pelo Latino ser elevada ao ser cantada por um Ney Matogrosso? É essa a questão que parece pairar sobre “Sétimo”, thriller argentino que chega aos cinemas hoje. Com um roteiro fraco e uma direção que não consegue carregar a história até seu final, o longa se alicerça quase exclusivamente na performance sempre cativante e competente de Ricardo Darín – um dos melhores atores do cinema, não só argentino, mas mundial hoje.

Ele vive o advogado Sebastián que, no dia de uma audiência importante envolvendo um caso de corrupção, passa no apartamento da ex-exposa Delia (Belén Rueda) para levar os filhos à escola. Eles fazem um velho jogo: as crianças vão pela escada, o pai pega o elevador, quem chegar primeiro na portaria ganha. Só que os filhos de Sebastián nunca chegam.

Os 20 minutos que se seguem a esse desaparecimento são disparados a melhor parte de “Sétimo”. O diretor e roteirista Patxi Amezcua consegue encenar com maestria a situação desesperadora do protagonista, reforçando a claustrofobia do momento ao colocar Sebastián correndo de um lado para outro entre os espaços fechados do prédio como um rato de laboratório, e abusando dos closes que parecem prensar Sebastián contra a parede. E se existe algum ator cujo rosto é capaz de expressar o pior pesadelo de um pai com mais eficiência e empatia do que Darín, ele ainda não fez um filme.

O grande problema é que o longa nunca chega a dar o próximo passo e ir além disso. O roteiro se preocupa mais em acumular possíveis indícios do motivo por trás do desaparecimento – o caso do julgamento, o divórcio com a esposa, os vizinhos suspeitos – do que em efetivamente elevar os riscos e conferir maior complexidade à trama.

Amezcua opta pela alternativa fácil da corrida contra o tempo no fim do segundo ato, e uma reviravolta que, se não é totalmente previsível, é muitíssimo mal explorada. O resultado disso é um terceiro ato anticlimático, com uma cena final cujo potencial o diretor não parece ter segurança e competência para explorar, deixando uma série de buracos (e um espectador insatisfeito) com suas respostas fáceis.

No fim das contas, “Sétimo” só não é totalmente dispensável devido à performance sempre competente de Ricardo Darín. Mas até ele tem trabalhos bem melhores, deixando aquela dúvida: vale mais a pena ver Ney cantando Latino ou interpretando Vinicius de Moraes? (DO)

Outras estreias

Além de “Os Amigos” e a estreia oficial de “Boa Sorte”, dois outros longas nacionais diametralmente opostos chegam às salas. “Irmã Dulce” é a biografia da freira do título, dirigida por Vicente Amorim (“Corações Sujos”).

Do céu ao inferno, “O Casamento de Gorete” traz Letícia Spiller e Rodrigo Sant’Anna como a drag queen do título, prestes a se casar.

Juntando-se a Spiller no time dos sumidos retornando às telas, Keanu Reeves retoma sua coroa de astro de ação em “De Volta ao Jogo”, sobre um assassino em busca de vingança.

Fechando a semana, Shirley MacLaine e Christopher Plummer estrelam o remake gringo de “Elsa & Fred”.

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