Após luta, superação do câncer

Após três anos de batalha, Bianca está entre os brasileiros que estão curados

iG Minas Gerais | Bernardo Almeida |

Sucesso. 

Bianca Prescovia (
centro
) passou por três anos de tratamento de uma leucemia, mas recebeu, neste mês, a notícia de que está curada
LEO FONTES / O TEMPO
Sucesso. Bianca Prescovia ( centro ) passou por três anos de tratamento de uma leucemia, mas recebeu, neste mês, a notícia de que está curada

“Foi maravilhoso, parecia que eu estava vendo a Bianca renascer”. É assim que a fotógrafa Elis Prescovia, 37, se lembra do último 11 de novembro, quando exames detectaram que a filha de 17 anos estava livre da Leucemia Linfóide Aguda (LLA), que ataca a medula, virando uma página que afligia a família há mais de três anos.

Agora curada, Bianca Prescovia, 17, faz campanha para doação de medula óssea, procedimento ao qual ela não precisou ser submetida. Ela tinha 14 anos quando começou a ter seguidas infecções urinárias que, após consulta a um pediatra, foram atribuídas a uma mononucleose, algo que passaria em duas semanas. Mas os medicamentos não resolveram o problema no tempo estimado, e ferimentos apareceram em várias partes do corpo de Bianca.

Para o oncologista pediátrico Joaquim Caetano, responsável pelo tratamento de Bianca, o câncer ainda representa um tabu. “Se você assimilar o diagnóstico como uma sentença de morte, é mais complicado tratar. As pessoas precisam entender que o câncer é uma doença como outra qualquer, e que existem várias formas de tratamento”, destaca Caetano.

A médica então a direcionou a um hematologista, que deu a notícia em 16 de agosto de 2011. “Foi o momento mais duro. A secretária nos ligou e pediu que fôssemos ao consultório porque havia uma alteração no exame. Meu marido e eu fomos informados que Bianca tinha leucemia. A palavra é assustadora, você não sabe muito bem o que é. Choramos muito, a Bianca desmaiou na hora”, recorda a mãe, que não tinha histórico da doença na família.

Bianca já teve que ser internada no dia seguinte para dar início ao tratamento. Primeiro a quimioterapia, e, depois, radioterapia para impossibilitar que as células cancerígenas migrassem para o sistema nervoso.

Durante o tratamento, o pai de Bianca teve que largar o emprego para cuidar do filho mais novo do casal, vários amigos se afastaram, porque a doença dificultava a vida social, inclusive o atraso de um ano na vida escolar.

Houve rejeição do corpo a um dos medicamentos, o que fez com que ela não conseguisse andar durante 15 dias. “Sentia muita dor, e tinha que chamar minha mãe para me virar, porque eu não conseguia”, conta Bianca. Mesmo assim, ela conta que nunca desanimou. “Sempre fui otimista, nunca me deixei abater, tentava passar para as pessoas não terem dó, pois eu ia vencer e hoje procuro transmitir isso para dar força a quem está começando”, conta a estudante, que já decidiu o que quer para o futuro. “Quero me formar em medicina, ajudar as pessoas, é uma profissão muito bonita com a qual tive todo esse contato”.

O QUE É. Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de cem doenças que resultam no crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo, gerando a metástase. A taxa de mortalidade geral no Brasil é de 50%, segundo o oncologista André Murad.

O câncer infantil tem uma taxa de cura de aproximadamente 80%, quando diagnosticado cedo. São registradas cerca de 12 mil crianças com novos casos da doença por ano no Brasil.

Saiba mais Câncer de pele. O mais incidente tipo de câncer no Brasil é o câncer de pele, que representa 182 mil novos casos por ano. Normalmente é provocado pelo excesso de luz solar. Próstata. O segundo tipo de tumor mais comum é o câncer de próstata (69 mil novos casos por ano), doença exclusivamente masculina de fácil prevenção. Homens acima de 40 anos devem procurar o urologista para fazer o exame preventivo. Mama. O terceiro tipo mais comum é o câncer de mama em mulheres (57 mil).

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