Ocupação buscou atrair público novo para a Funarte

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


A estreia de “Talvez Eu Me Despeça” fez parte da programação
GUTO MUNIZ/DIVULGAÇAO
A estreia de “Talvez Eu Me Despeça” fez parte da programação

Estar à frente da programação de um espaço cultural público é um desafio diuturno, que revela demandas que, muitas vezes, não estavam previstas na elaboração do projeto. Assim, chega ao final a “Ocupação 3.0”, com o espetáculo “O Canto de Gregório”, dos recifenses do Magiluth. O projeto da Uma Companhia foi vencedor de um edital, que esteve à frente da programação artística do Galpão 3 da Funarte, entre março e novembro deste ano. Pelo espaço passaram estreias de espetáculos locais, como “Talvez Eu Me Despeça”, a segunda edição da Mostra BH in Solos, terminada, no último fim semana, dentre outros.

Uma das principais diretrizes da proposta de ocupação foi trazer espetáculos de grupos do interior do Estado para Belo Horizonte. “Tentamos fazer uma descentralização ao contrário”, comenta Débora Vieira, da Uma Companhia. “Geralmente, o que se vê em projetos por ai é a ida de espetáculos da capital para as cidades do interior. Mas não podemos esquecer que há produção de espetáculos nessas cidades, e eu já ouvi a reclamação que eles não conseguem vir a Belo Horizonte para apresentar seus trabalhos. Então, optamos por abrir esse espaço. Gostaríamos de trazer mais grupos do interior, mas é uma produção que tem um custo mais alto. Com isso, uma parte da programação foi feita por grupos locais”, completa.

Uma consequência positiva não prevista de antemão pela iniciativa de trazer espetáculos de cidades do interior foi a oferta de espetáculos infantis, em horários diferentes. “Tivemos esse episódio feliz. Foi interessante porque a gente conseguiu atrair um outro público, num horário diferente e funcionou muito bem. A cada semana, as pessoas apareciam na Funarte por motivos diferentes”, sinaliza a produtora.

Outra frente bem-sucedida proposta pelo projeto era uma relação mais próxima com professores, por entender que são eles uma ponte importante na formação de público, ao levar diferentes expressões artísticas para dentro da sala de aula e, principalmente, fazer com que, desde cedo, as crianças se interessem por apreciar obras de arte. No total, o projeto ofereceu 22 oficinas de jogos teatrais e dois workshops de apenas um dia. “A grata surpresa foi que alguns professores ficaram conosco e tiveram interesse em se aprofundar. Por conta disso, fizemos um módulo dois para eles”, comemora Vieira.

Além disso, o projeto reservou uma parte de suas apresentações para estudantes, na manhã ou à tarde. “Embora, a gente tenha tido espetáculos que representam o que há de mais contemporâneo na produção da cidade e do país, nós optamos por concentrar os espetáculos em linguagens mais acessíveis”, revela ela.

Débora avalia positivamente o período em que a Uma Companhia esteve à frente de uma parte da programação da Funarte. “Acho que conseguimos atingir plenamente nossa proposta inicial de trazer espetáculos do interior. Foi uma experiência muito interessante e conseguimos principalmente atrair um público que nunca foi ao teatro, ou que nunca tinha vindo à Funarte. Isso é muito interessante”, revela.

Por outro lado, mesmo um ano depois de uma experiência como essa, a produtora se surpreende com o “temperamento” sazonal do público. “Tem umas coisas que são difíceis de entender. Um dia, um espetáculo está vazio, às moscas e, no dia seguinte, lotado. Eu sinceramente não entendo até hoje esse comportamento do público da cidade”, contemporiza.

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