Mexicanos ainda esperam resposta

Pais de normalistas ainda têm esperança de encontrar os seus filhos com vida

iG Minas Gerais | Aline Reskalla |

Protestos.Desde desaparecimento, país foi tomado por manifestações
Eduardo Verdugo
Protestos.Desde desaparecimento, país foi tomado por manifestações

CIDADE DO MÉXICO, México. Sessenta dias após o desaparecimento de 43 estudantes normalistas na cidade mexicana de Iguala, a 130 km da capital Cidade do México, 76 pessoas foram presas pelas autoridades policiais do país por envolvimento no caso, mas poucas respostas foram dadas às famílias dos estudantes e à população.

Doze covas coletivas com vários corpos foram descobertas durante as diligências policiais, nenhuma delas, contudo, abrigava os meninos e meninas da Escola Normal Rural de Ayotzinapa. Nesta quarta, mais uma foi encontrada na região. O que se sabe até agora é que os estudantes teriam sido sequestrados por capangas do ex-prefeito da cidade, José Luiz Velásques, e da mulher dele, Maria de los Angeles Pineda, para evitar um protesto em uma solenidade oficial. O casal teria ligações com o cartel do narcotráfico Guerreros Unidos. Do cartel foram detidos 29 integrantes, dos quais três confessaram que os estudantes foram executados e incinerados em uma fogueira a 600ºC. Supostos vestígios foram enviados para a Áustria para testes de DNA. Os presos disseram à polícia terem mantido essa temperatura por 14 horas usando diesel, gasolina, lenha, plástico e “tudo o que estava ao alcance”. Os restos mortais teriam sido jogados no rio San Juan. Esperança. Familiares, porém, preferem não acreditar nessa versão. O pai do estudante César Manuel, Mario Gonzalez, não consegue se esquecer do dia em que as autoridades anunciaram que os rapazes haviam sido assassinados e queimados. “Estávamos furiosos e tristes, choramos todos, e decidimos que iríamos seguir em frente, porque não acreditamos nessa versão, porque no dia em que eles teriam sido queimados choveu toda a noite”, questiona Gonzalez.

Investigadoras A cada cova coletiva encontrada em Guerrero nos últimos 60 dias, a dor dava lugar à esperança, pois os meninos de Iguala não estavam entre os mortos. Cansadas de esperar pelas autoridades, 12 mães dos estudantes sumidos se uniram em uma apuração paralela. Elas contam com apoio de uma universidade do Reino Unido, a Durham. O projeto Ciência Forense Cidadã, primeiro dirigido por cidadãos no país, visa localizar e identificar pessoas desaparecidas no México.

População chocada e indignada Cidade do México. A população mexicana também está chocada e indignada. O taxista Alfonso Penilla disse que a história está mal contada. “É muito estranho que ninguém tenha visto sinal dessa fogueira grande, pois eram 43 corpos. Ninguém sentiu cheiro. Esse caso deixou o país em choque”, disse. Nesta quarta, enquanto manifestantes voltavam às ruas para protestar, fechando uma importante rodovia no Estado de Guerrero, o presidente mexicano, Enrique Peña Neto, fazia um pronunciamento à nação prometendo encontrar os culpados e as respostas que as famílias esperam.

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