Onda de protestos se espalha por cidades norte-americanas

Cidadãos foram às ruas protestar contra a decisão de não indiciar policial

iG Minas Gerais |

Manifestante pede o fim do racismo
David Goldman
Manifestante pede o fim do racismo

Ferguson, EUA. Os reforços policiais no Estado norte-americano de Missouri contribuíram para conter os protestos mais recentes em Ferguson, evitando uma segunda noite do caos após a Justiça dos Estados Unidos decidir não indiciar o policial branco Darren Wilson pela morte do jovem negro Michael Brown. Apesar disso, manifestações foram realizadas em 170 cidades do país, e pelo menos 150 pessoas foram detidas durante os protestos mais recentes. Anteontem, manifestantes voltaram para as ruas, mas os danos a propriedades foram menores após o governo local triplicar o número de militares da Guarda Nacional. Segundo a polícia, a segunda noite de protestos teve menos violência. “Eu acho que em geral foi uma noite muito melhor”, afirmou o chefe da polícia de St. Louis, Jon Belmar. “Vimos alguns manifestantes que estavam lá realmente pelo motivo certo”, completou. Investigações. Grande parte da Avenida West Florissant, em Ferguson, foi mantida fechada enquanto autoridades trabalhavam para identificar a origem de incêndios. Conforme Belmar, os entulhos acumulados atrapalhavam o trabalho dos investigadores na cena do crime. O confronto mais grave entre manifestantes e policiais em Ferguson aconteceu do lado de fora da prefeitura, onde um grupo que marchou do departamento de polícia quebrou diversas janelas e danificou um carro policial estacionado. Uma pessoa foi presa, e um coquetel Molotov apreendido, além de duas pistolas e diversas pedras, latas e garrafas atiradas nos oficiais. PAÍS. Desde a decisão judicial, manifestantes saíram às ruas em várias partes do país. Eles marcharam em Seattle e em Albuquerque, e prejudicaram o trânsito em St. Louis, Nova York e em Cleveland. Protestos também foram realizados em Michigan, no Maine, na Georgia, no Wisconsin e em outros Estados. Para muitos, o assassinato a tiros de Brown, em 9 de agosto, lembrou outros casos de conflitos problemáticos com as forças da lei. O refrão “mãos para cima, não atire” se tornou as palavras de ordem nos protestos contra assassinatos cometidos por policiais em todo o país. Em Nova York, milhares de pessoas saíram às ruas pela segunda noite consecutiva. Alguns carregavam faixas nas quais se lia “Prendam policiais assassinos” e “Justiça para Mike Brown”. Interdição. Em Los Angeles, os manifestantes impediram o tráfego em uma rodovia. Em Oakland, um grupo atacou carros de polícia e lojas no centro da cidade, quebrando janelas de lojas, de carros, restaurantes e lojas de conveniência. Na cidade de Minneapolis, um carro atingiu um manifestante e depois foi em direção a um grupo que participava do protesto. Uma mulher se feriu. Em Cleveland, centenas de pessoas marcharam por uma via expressa para bloquear o trânsito e protestar contra o que aconteceu no Missouri, mas também contra o assassinato, no sábado, de Tamir Rice, 12, que tinha uma arma de chumbinho com aparência de uma arma de fogo. “O sistema não foi feito para nos proteger”, disse a manifestante, Naesha Pierce, de 17 anos.

Mundo mostra solidariedade A decisão do júri de não indiciar o policial Darren Wilson, 28, que atirou e matou em Michael Brown, 18, em Ferguson, gerou manifestações em diversas partes do mundo. Em Londres, parentes de homens negros que morreram nas mãos da polícia britânica marcaram para ontem um protesto em frente à embaixada dos Estados Unidos, em solidariedade à família de Brown. Manifestações também estavam previstas para ocorrer em Ottawa, Toronto, Montreal e Vancouver, no Canadá, Tóquio, no Japão, Oslo, na Noruega, e San Juan, em Porto Rico. A mídia russa criticou a “hipocrisia” norte-americana. Segundo Alexander Khristenko, do canal de TV estatal Rússia 24, “o conflito de Ferguson não é momentâneo, mas profundo”.

‘Nunca quis tirar a vida de ninguém’ O policial Darren Wilson disse que “nunca quis tirar a vida de ninguém” e sente muito pela morte de Michael Brown. Wilson declarou, em entrevista ao programa “Good Morning America”, da rede ABC, que foi ao ar ontem, que seguiu seu treinamento quando atirou contra um adolescente negro desarmado. Ele disse ainda que entende a raiva dos pais de Wilson porque eles estão sofrendo a perda do filho. “Sinto muito que seu filho tenha perdido a vida”, afirmou.

Mãe rebate declaração de Wilson A mãe de Michael Brown, Lesley McSpadden, reagiu ontem aos comentários do policial Darren Wilson sobre a morte do filho dela. Segundo Lesley, a declaração de Wilson, que chegou a descrever o jovem com a aparência de “um demônio”, “parece loucura” e é “desrespeitosa”. “Primeiro, meu filho respeitava a lei”, disse a mulher ao “Today News”. “Segundo, quem está no seu perfeito juízo iria atacar um policial que tem sua arma na mão? Parece loucura”, completou.

Promotor do caso é alvo de críticas Juristas experientes dos EUA criticaram o processo que culminou no não indiciamento do policial Darren Wilson. Parte da comunidade jurídica acredita que o júri que ouviu o caso foi tomado por informações e testemunhas sem um filtro de relevância pela Promotoria local, e que o promotor Robert McCulloch se absteve de conduzir as audiências em prol do indiciamento. Tudo isso teria ampliado o peso dos muitos testemunhos contraditórios e beneficiado Wilson.

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