Vendas de aço caem 9% com crise do mercado interno, diz setor

Com avanço de apenas 0,1%, siderurgia brasileira vive uma de suas maiores crises da história, com queda de vendas e estagnação da produção

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Num cenário de economia doméstica combalida, excesso de capacidade ao redor do mundo e forte competição com a China, a siderurgia brasileira vive uma de suas maiores crises da história, com queda de vendas e estagnação da produção.

Segundo o Instituto Aço Brasil, as vendas brasileiras de produtos siderúrgicos devem fechar 2014 com queda de 8,9% em relação a 2013. Em volume, serão 20,8 milhões de toneladas, patamar próximo a 2010. Ou seja, o setor retrocedeu quatro anos.

Já a produção deve ficar praticamente estável, com avanço de apenas 0,1%. Os dados consideram projeções apenas para o terceiro trimestre. Até outubro, as vendas apresentavam queda de 8,7%; e a produção, que tende a piorar neste fim de ano, registrava alta de 0,7%.

Falta de confiança

Para Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do instituto que representa as indústria siderúrgica, o setor sofre não apenas com a maior oferta de aço no mundo nos últimos anos. Um dos principais entraves atualmente, diz, é o mercado interno, com baixo crescimento do PIB e do investimento. Resultado, afirma, da "falta de confiança do setor produtivo" na economia do país.

A crise na indústria, que ano a ano perde peso no PIB, atinge em cheio o setor, que vende placas de aço e outros produtos a fábricas de bens de consumo, como as de veículos e eletrodomésticos. Outro ramo que consome aço e não vai bem é o da construção civil.

Para Lopes, o consumo de aço no país está estagnado em torno de 100 kg por pessoa, sem investimentos em infraestrutura e na toada do fraco crescimento da economia. A cifra é menor do que em outros países em desenvolvimento, como Turquia, Irã, Polônia e México. Todos demandam proporcionalmente mais aço do que o Brasil.

Um dos problemas é o atraso do país em obras de infraestrutura e o que Lopes chama de "um processo constante de desindustrialização" -provocado pela perda de competitividade do setor com custos tributários elevados, câmbio contido para segurar a inflação e juros elevados.

Esperança

Lopes vê na composição da nova equipe econômica "um sinal positivo" e um alento para 2015 -ainda que o instituto tenha uma previsão de um aumento do PIB de apenas 0,2% em 2014. "É um sinal muito bom para a uma possível retomada da confiança."

O executivo afirmou que a equipe a ser comandada por Joaquim Levy, que deve ser confirmado para a Fazenda, tende a fazer um ajuste fiscal capaz de abrir, no médio prazo, espaço para a redução dos juros, um dos principais entraves do setor industrial.

O executivo disse que, como já ocorre nos últimos anos, há uma invasão de produtos siderúrgicos da China, produzidos a custo baixo e por estatais que "não se importam com resultados". Desse modo, o setor vê como uma forma de concorrência desleal. "Não competimos com uma empresa. Competimos com um Estado, com um país."

Lopes também cobrou maior ação da diplomacia brasileira. "Um trabalho de defesa comercial do nosso mercado é fundamental. Tão fundamental como o de acesso a novos mercados."

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