Polícia diz que fraude teria beneficiado pelo menos 20 pessoas no Enem

Apuração apontou que membros da quadrilha que fraudava as provas teria conseguido os cadernos de questões 10 minutos antes das provas; Inep informou que ainda não foi comunicado sobre o teor da investigação

iG Minas Gerais | Aline Diniz / Bruna Carmona |

A investigação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de Minas Gerais que apura a atuação de uma quadrilha especializada em fraudar vestibulares de medicina em todo o Brasil apontou que pelo menos 20 candidatos que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram beneficiados pelo esquema criminoso.

Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (26), o delegado Antonio Junio Dutra Prado, afirmou que, no Mato Grosso, os pilotos - contratados para resolver as provas e passar as respostas aos candidatos - tiveram acesso aos cadernos de questões 10 minutos antes do início do exame. Lá, eles resolveram as provas e repassaram as respostas aos candidatos que estavam em Minas Gerais, na Bahia e no Espírito Santo.

Até o momento, segundo o delegado, duas pessoas que estariam envolvidas no vazamento das provas foram identificadas. As informações dobre os suspeitos não foram detalhadas por Prado, que deve repassar o que foi investigado ao Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com o delegado, entre os dias 19 de outubro e 23 de novembro, cinco vestibulares de universidades em todo o Brasil foram alvos do esquema. Nelas, segundo a investigação, entre 20% e 40% das vagas dos cursos de medicina teriam sido compradas. Até o fim do ano, segundo as investigações, pelo menos outros cinco processos seletivos seriam fraudados. O esquema era direcionado para instituições privadas, que utilizam a prova objetiva como método de ingresso nos cursos. Até o momento, a investigação, que começou em abril,  não apontou envolvimento de nenhuma universidade no esquema.

Até o momento, há 12 pessoas presas suspeitas de participar do esquema. A investigação do caso continua para apurar a existência de mais envolvidos e também a prática de lavagem de dinheiro.

Em nota, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmou que "não foi informado, sequer contatado, pela Polícia Civil de Minas Gerais sobre o teor das investigações". O comunicado diz que o instituto já solicitou à Polícia Federal informações sobre o caso. "O Inep reafirma que qualquer pessoa que tenha utilizado métodos ilícitos para obter vantagens no Enem será sumariamente eliminado do exame, sem prejuízo a outras sanções legais", diz o texto.

 

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