Oportunidade e oportunismo

iG Minas Gerais |

Disse o ex-Presidente Getúlio Vargas: “Eu não sou um oportunista. Sou um homem das oportunidades. Se um cavalo passar encilhado em minha frente, eu monto”. Já o romancista francês Chapelan afirmou que “todo mundo é oportunista, mas nem todos sabem sê-lo oportunamente”. Eu, que nada sou, digo que oportunismo é transformar o cargo de diretor geral da Polícia Federal em cargo de confiança da Presidência da República, procedimento do desgoverno de dona Dilma para, naturalmente, evitar uma investigação como a do mensalão e a do “pequeno deslize”, no caso do assalto aos cofres da Petrobras. Também é oportunismo mudar o orçamento da União no final do exercício para fazer de conta que cumpriu a lei, no caso do “superávit primário”. Seja presidente ou presidenta, como queiram, o certo é que não se pode mudar a regra depois do jogo começado e, neste caso, o jogo está no fim. Nesse meio tempo, me encontro com o Libório, aquele alfaiate lá do distrito da Cachoeira, na verdade um cozedor de roupa de pobre, que tem mania de ser vice-qualquer-coisa, como o PMDB. Depois dos cumprimentos de praxe, a pergunta: “Dota, cê ficou sabeno da morte de Dodô?” “Não, morreu quando e de quê?” “Faz uns 20 dia... foi ligeiro e num deu tempo pra nada. Sei dereito, não, eles fala que foi cance do coração...”. É... câncer no coração não tem jeito mesmo... Saindo dali, fiquei pensando nas vantagens de ser ignorante sadio, isto é, no bom sentido, se é que o leitor me entende. Esse povo pobre e ignorante no bom sentido vive feliz. Libório faz parte de um grupo muito diferente desses ladrões modernos, que parecem ignorantes, mas não são; ao contrário, são espertos e desavergonhados, assaltam a nação o tempo todo, pensando que só dinheiro apanhado de qualquer jeito dá poder e felicidade. Dinheiro pode comprar muita coisa, menos vergonha e dignidade, o que sobra em Libório e seus amigos. Esse caso da Petrobras, como os outros tantos assaltos de que o povo está sendo vítima, é sinal de nosso tempo político. Será que a Petrobras seria saqueada continuadamente como tem sido ao longo do tempo, se fosse uma empresa privada? Por que não se vê isso em grandes empresas e bancos? E por que acontece, às vezes, ou quase sempre, também com o Banco do Brasil? Porque o Estado é mau patrão, é mau comerciante, é mau industrial, é mau em tudo e deveria existir só para nos organizar em sociedade, nada mais que isso. Mas aí o assunto passa a ser o Estado mínimo e pode ser discutido depois, quando tivermos o povo educado e sadio. Não tenho dúvida: pecados cabeludos como esses que existem aqui só acontecem porque o Estado é tudo, e tudo é Estado. Até parece que sou socialista ou comunista... Sou não, penso assim porque estudei, sou sadio e concordo com Churchill: “O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual das riquezas, já a virtude do socialismo é a divisão igualitária da miséria.”

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