Farsante espanhol convive com elite

Jovem de 20 anos conseguiu, com suas mentiras, beijar a mão do novo rei, Felipe VI

iG Minas Gerais |

Ousadia. Francisco Nicolás chegou a entrar na fila para cumprimentar o novo rei espanhol, Felipe VI
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Ousadia. Francisco Nicolás chegou a entrar na fila para cumprimentar o novo rei espanhol, Felipe VI

MADRI, Espanha. Um jovem de 20 anos, olhos azuis angelicais e cara de nunca ter quebrado um prato na vida está dando trabalho para o governo espanhol, a Casa Real e o Centro Nacional de Inteligência, dos quais afirma que recebia missões. Como se não bastasse a enorme crise de credibilidade dos cidadãos nas instituições espanholas, Francisco Nicolás Gómez Iglesias, o Pequeno Nicolás, inventou, mais do que uma história, uma vida, na qual circulava pelas altas esferas do poder, capaz de deixar em ridículo essas mesmas instituições.

Gómez Iglesias, que se define nas redes sociais como “empreendedor”, parecia ter claro, desde os 14 anos, que as relações pessoais eram a chave para entrar nas teias do poder. Começou conquistando, teoricamente, a atenção do ex-chefe do governo espanhol José María Aznar, levando estudantes para encher o auditório da Fundação para a Análise e os Estudos Sociais (Faes), do Partido Popular, presidida por Aznar, a quem o estudante de direito chamava de José.

Ostentação. Desde então, o também apelidado de Fran começou a fazer seu álbum de fotos. Aznar e sua mulher, Ana Botella, prefeita de Madri, são apenas algumas das muitas fotografias que ostenta nas redes sociais. As imagens eram usadas para abrir mais portas e, consequentemente, conseguir mais fotos. E assim foi até entrar na seleta fila de beija-mão do recém-entronizado rei Felipe VI, de quem o Pequeno Nicolás disse, a um empresário, que era testa de ferro.

Vantagens. Ousado, Nicolás, com uma boa lábia, ia criando uma estrutura para manter a farsa: uma empresa de construção pagava o aluguel de uma casa num condomínio de luxo em Madri, com a promessa de conseguir clientes e na qual. Ele dizia também que organizava festas e reuniões no local.

As promessas eram sempre de usar seus preciosos contatos para favorecer empresários, dos quais se calcula que tenha obtido cerca de € 65 mil.

Missões ‘impossíveis’ e prisão Madri. As missões que Nicolás dizia ter recebido do governo e da Casa Real eram estapafúrdias. Algo como combater o nacionalismo catalão ou salvar a infanta Cristina, irmã do rei Felipe VI, indiciada por delitos fiscais. Ele diz ainda ser espião do serviço de inteligência espanhol. Como mentira tem perna curta, o Pequeno Nicolás foi detido na metade de outubro, levado à delegacia onde prestou depoimento durante sete horas e ficou preso por dois dias. Porém, os enigmas são muitos sobre esse rapaz que diz ter tido um tratamento direto com nomes da elite política espanhola.

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