Bar do Salomão vai abrir nesta quarta

Em respeito à determinação do MP, reduto dos atleticanos ficou fechado na primeira partida da final

iG Minas Gerais | Camila Bastos |

História. Tradição que envolve estabelecimento e jogos existe há mais de 70 anos, explica proprietário
RODRIGO LIMA - 27.2.2013
História. Tradição que envolve estabelecimento e jogos existe há mais de 70 anos, explica proprietário

Reduto da torcida atleticana, o Bar do Salomão, no bairro Serra, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, vai abrir as portas para a torcida alvinegra no clássico da noite desta quarta contra o Cruzeiro, a finalíssima da Copa do Brasil. Na primeira partida da final, no último dia 12, o estabelecimento ficou fechado, conforme Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) expedido pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em agosto, após reclamações de vizinhos. Moradores afirmam que frequentadores fazem muito barulho, sujam a região e fecham a rua Amapá, o que chega a impedir a passagem de ônibus.  

“Como manda o MPMG, não vou colocar mesas na calçada nem telão, mas não posso impedir que as pessoas venham”, afirmou Salomão Jorge Filho, 44, proprietário do bar. Ele acredita que o local vai receber nesta quarta aproximadamente 2.000 pessoas, público que se reuniu no entorno do estabelecimento quando o time venceu a Libertadores da América, em julho de 2013. O comerciante pretende ainda nesta quarta procurar a 16ª Promotoria de Habitação e Urbanismo, responsável pelo TAC, e tentar acordo para poder colocar telão no local, entre outros pedidos, que não detalhou.

O termo prevê que o bar, localizado entre as ruas do Ouro e Amapá, só pode colocar mesas e cadeiras em 75 metros quadrados, incluindo área interna e a calçada da rua do Ouro. A maioria dos frequentadores, porém, ocupa a rua Amapá. O texto prevê R$ 10 mil de multa para cada dia de descumprimento do TAC.

Salomão vê a decisão como uma arbitrariedade. “Isso aqui é Belo Horizonte, a capital dos botecos. A prefeitura devia me apoiar”, defende. Segundo ele, a tradição que envolve o estabelecimento e os jogos existe há mais de 70 anos, quando o bar era gerido pelo pai, falecido há 12 anos.

Reclamações. Em e-mail enviado a O TEMPO, um leitor que mora no local reclama dos carros de som e das torcidas organizadas em dias de jogo. “Sabemos que o comerciante necessita do estabelecimento cheio e com potenciais consumidores, mas que isso seja feito de forma ordeira, respeitando quem mora na região”, diz o morador, que não quis ser identificado. Ele também se queixa de tumultos às segundas e quartas-feiras, quando o estabelecimento recebe uma roda de choro.

Moradores ainda reclamam da depredação dos prédios vizinhos. “Eles quebraram várias janelas da rua, e eu já vi muita gente fazendo xixi nas paredes e no meio dos carros, inclusive mulheres”, denuncia a aposentada Maria de Lourdes Moreira, 65.

Polêmica. Para o frequentador Mateus Fernandes, 27, músico e atleticano, um dos agravantes da tensão entre o bar e os vizinhos é o horário das partidas, já que muitas começam às 22h (como a desta quarta). Ele indaga, no entanto, que as decisões valem para todos os jogos, inclusive os da tarde. “Se a proibição fosse relacionada somente ao barulho, os jogos das 19h ou das 20h poderiam ser transmitidos.”

Frequentador assíduo da roda de choro, Fernandes acredita que a cidade tem muito a perder caso não haja acordo entre vizinhos e MPMG. “O choro é a primeira manifestação de música urbana do Brasil. Acabar com isso é cortar o acesso de muita gente à cultura”, diz.

Entenda o caso

Licença. O Bar do Salomão tem alvará de localização e funcionamento para o exercício de atividades de bar, restaurante e similares, em área de 75 metros quadrados, somando o espaço interno do estabelecimento e uma parte da calçada da rua do Ouro.

Irregularidades. Segundo o MPMG, foram identificadas no local irregularidades como utilização do passeio da rua Amapá para colocação de mesas e cadeiras, instalação de telão em passeio público, permitindo a aglomeração de pessoas e venda de bebidas a pessoas que não estejam nas mesas, causando poluição sonora e outros transtornos aos moradores do entorno, especialmente em dia de jogos do Atlético.

Condicionantes. O órgão exigiu do estabelecimento as seguintes alterações:

- utilizar mesas e cadeiras apenas nos limites da licença municipal, na rua do Ouro;

- não colocar mesas, cadeiras e balcões na calçada da rua Amapá;

- não instalar telões nas ruas Amapá e do Ouro;

- transmitir o jogo apenas em televisores, dentro do local, com o áudio desligado;

- e não vender cerveja no caixa para cliente que não esteja ocupando mesa.

Punição. O MPMG deve fiscalizar o cumprimento das regras. Em caso de irregularidades, é cobrada multa diária de R$ 10 mil.

Denúncias

Trâmite. Reclamações feitas à Polícia Militar pelo 190 são encaminhadas à prefeitura. A assessoria de imprensa do Executivo não informou o balanço de ocorrências do último ano.

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